Opinião

13 anos sem 'A Paulicéa'

A "Turma da Paulicéa" guarda todos os sentimentos dos tempos bons em que nos reunimos


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

A saudosa " A Paulicéa", como definiu o advogado Martinelli, referência histórica, sentimental, poética e gastronômica da cidade, fechou suas portas há treze anos. A data 13 de janeiro. Seu famoso balcão marcou história na terra de Petronilha Antunes. Surgiu seu comércio como padaria e confeitaria. Em 1967, foi reformulada e passou oferecer ainda o serviço de restaurante. Casais ali se conheceram nas décadas de 60/70 do século passado. Era local perfumado pela charmosa "paquera" e muitos embevecidos, pelo incenso da adoração familiar.

Foi nos tempos românticos de 60 a 80, dos Beatles, Jovem Guarda, festival de San Remo, Rock and Roll, das grandes orquestras, que o local que recebia jovens em busca da amizade, namoro e lazer, e se tornou o glamuroso ponto de encontro da vida noturna.

Ao longo dos anos, três espaços marcaram sua existência. A chamada UTI (reservado aos fundos) para os amantes da boa bebida e dos saborosos petiscos, o espaço do Senadinho, com suas discussões políticas, e a entusiasta Turma da Paulicéa, grupo de amigos, unidos pela solidariedade.

A Paulicéa foi testemunha da própria história de Jundiaí e com ela os traços pessoais de Arthur Facchini. Quantos prefeitos não tomaram seu cafezinho? Vasco Venchiarutti, Luiz Latorre, Manoel Ildefonso de Castilho, Omair Zomignani, Pedro Favaro, Walmor Martins, Íbis Cruz, Miguel Haddad, André Benassi, Ary Fossen e antes deles, quanto mais? E os grandes nomes da política nacional. Os governadores Carvalho Pinto, Adhemar de Barros, Orestes Quércia, José Bonifácio Coutinho Nogueira, Laudo Natel, Mário Covas, José Serra. Os presidentes da República, Juscelino Kubistchek e Jânio Quadros.

E mais, mais que isto, o "footing" antes e após as antigas sessões nos tradicionais cinemas Ipiranga e Marabá, que funcionavam na região central da cidade e que não existem mais. Lá conheci Miriam e somos felizes.

A Paulicéa era o mais antigo ponto para o café, no centro da cidade. Tal a sua grandeza emocional que surgiu a "Turma da Paulicéa". Personagens vivas da própria história afetiva que a centenária e saudosa Paulicéa nos proporcionou, ao longo dos seus 109 anos.

Esta "Turma da Paulicéa" guarda todos os sentimentos dos tempos bons em que nos reunimos em seus finais de tarde. Quero comigo, bem perto de mim, a feliz lembrança que encerram estes rostos fatigados.

Tudo que o tempo podia fazer de nós, deles e de mim, já fez. É por isso, que não posso deixar de lembrar desta paixão, que não envelhece em meu coração: a camaradagem engraçada e respeitosa que sempre alimentou o cotidiano de nossos dias.

Na fantástica Paulicéa não havia intolerâncias. Mais se falava das coisas boas da vida. Não havia controvérsias. O cliente sempre bem-vindo.. Perdemos a Paulicéa. Para nós, que vivemos as "primaveras eternas" desta encantadora cidade, buscando sua alma, através da Serra do Japi, esforçando-se em registrar o frêmito das suas ruas e o calor de seus desejos, gostaria de dirigir uma última palavra, de carinho e gratidão por ter oferecido tantos momentos felizes em nossas vidas. E acredito, que a maioria dos jundiaienses, gostaria de fazer o mesmo.

GUARACI ALVARENGA é advogado


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