Opinião

Força Expedicionária Brasileira

O coronel cumpriu com ombridade suas atribuições de militar


divulgação
COLUNISTA PROFESSOR FERNANDO BANDINI
Crédito: divulgação

"A FEB 12 anos depois" relata a experiência do tenente Élber de Mello Henriques na Itália, na Segunda Guerra Mundial. Oficial da Artilharia, foi aviador observador na campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB), entre 1944 e 1945. Pouco depois de uma década dos fatos, o agora major publica suas anotações, em livro da Biblioteca do Exército. O testemunho é o de um militar empenhado no seu trabalho e sensível ao sofrimento em redor. Henriques observa os padecimentos da população italiana, agravados pela truculência das tropas alemãs. Devastação, fome e frio numa guerra interminável.

O oficial reconta a trajetória desde os treinamentos nos Estados Unidos e no Brasil até a partida do Rio de Janeiro e o desembarque, em agosto de 1944, em Nápoles. Como observador, Henriques acompanhava piloto em missões de reconhecimento aéreo, sobrevoando num adaptado teco-teco de turismo áreas de combate. Muitas vezes, voou abaixo dos limites de segurança, em manobras arriscadas, a fim de observar deslocamentos e posições de tropas e avaliar áreas de combate. Além das fileiras do Eixo, os aliados toparam com chuva e lama para dificultar investidas. No período mais crítico, o avanço, quando ocorria, era contado em poucos metros por dia.

Ciente das limitações de sua experiência, o tenente aproveita-se do relato de outros combatentes, multiplicando os pontos de vista. Dessa maneira, o leitor conhece os perigos dos campos minados, os hospitais e seus horrores, as rixas (soldados estadunidenses, por vezes, não cumpriam ordens de oficiais brasileiros) e mesmo o cardápio das refeições. Há espaço até para o humor, como os corriqueiros furtos de jipes cometidos entre os próprios aliados.

De volta ao Brasil, serviu em diversas missões, como na base brasileira na Antártica. Depois de 1964, o então coronel Henriques participou de inquéritos militares, interrogando acusados de subversão. Diante de relatos de torturas, o herói da Segunda Guerra, dentro de suas atribuições, questionou superiores quanto à integridade física de quem estava em instalações militares, sob custódia do Estado. Foi escanteado. Embora tivesse todos os méritos, cursos e condecorações, Henriques não chegou a general. Enquanto colegas de farda meteram-se em malfeitos com a escória da meganha, o coronel cumpriu com ombridade suas atribuições de militar. Morreu aos 87 anos, em 2005.

FERNANDO BANDINI é professor de Literatura do Ensino Médio


Notícias relevantes: