Opinião

Mães não deveriam morrer

Quem tem mãe tem tudo; quem não tem mãe não tem nada!


divulgação
HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Repito qual mantra: "quem tem mãe tem tudo; quem não tem mãe não tem nada!". E também costumo dizer: "orfandade não tem idade!".

Isso a propósito da partida de mães extraordinárias, verdadeiros paradigmas da maternidade, raros modelos de mulheres de fibra, verticais e luminosas.

Irene Portugal Castilho de Andrade viu encerrada sua bela trajetória de amor ao próximo e à fé. Devotou-se a causas nobres, cuidando de transmitir noções da tradicional economia do lar a mulheres que poderiam encontrar no cultivo das "prendas domésticas", uma eficaz alavanca de sustento. Simultaneamente, aspergia carinho e ternura, num universo tão carente de tais signos de humanidade.

Conviver com ela era testemunhar que a prática do bem é exercício perfeitamente possível, apesar de tantas iniquidades que nos assombram diuturnamente nesta Pátria heterogênea, complexa e surpreendente.

Sua memória permanecerá, como legado que terá continuidade na caminhada evangelizadora dessa nunca assaz louvada Maria Cristina Castilho de Andrade, ser humano de primeiríssima qualidade, padrão de conduta cívica e cristã. Nossa comunidade ainda não soube aproveitá-la o quão seria necessário, para prover a vida pública de invulgar upgrade ético. E o jornalista Castilho de Andrade ganhou notoriedade nacional, a evidenciar a boa cepa de sua proveniência.

Pouco antes, Jundiaí também perdeu outra grande mulher: Maria Enid Ladeira Pachur. Manteve, durante décadas, o "Chapeuzinho Vermelho", escola infantil que abrigou centenas de crianças, hoje cidadãos prestantes e que se recordam com saudades dos tempos bons da "Tia Nide".

Era uma anfitriã fidalga, nas recepções da Leonardo Cavalcanti, espaço de acolhimento de uma juventude privilegiada, que privou da amizade de seus filhos Fernando e Anna Theresa, dignos sucessores de uma estirpe que forneceu magníficos exemplares de cidadania.

Mães extremosas, Irene e Maria Enid souberam criar filhos dos quais ela e a grande família jundiaiense têm razão de se orgulhar.

Um castigo a mais que a pandemia nos impõe, é a crueldade de nos furtar o dever de um abraço fraterno, de honrar os rituais do luto que ambas levaram tão a sério em suas profícuas existências.

JOSÉ RENATO NALINI

é reitor da Uniregistral, docente da
pós-graduação da Uninove e
presidente da Academia Paulista
de Letras - 2021-2022


Notícias relevantes: