Opinião

Alerta: outros virão!

Que tal levar a sério a proclamação retórica de que o povo é o único titular do poder?


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

A pandemia que sacudiu o planeta e com a qual parece que as pessoas estão se acostumando, não foi a primeira, nem será a última. O fato de nos acostumarmos com "apenas" seiscentas mortes por dia e trinta mil novas contaminações, não arreda a gravidade da doença.

Não faltaram avisos. A ciência alertou a humanidade de que o avanço insensato sobre espaços destinados à proteção causaria consequências incríveis e indesejáveis. Não que fossem inesperadas!

Mas a cupidez atua como uma venda sobre os olhos dos que só enxergam cifras. Pensam em acumular dinheiro, como se a vida se eternizasse além das poucas décadas reservadas a cada humano em peregrinação por este frágil planeta. Fingem-se ignorantes, pois não é possível que letrados e portadores de títulos universitários e de pós-graduação, aleguem desconhecer os resultados da insanidade. Queimadas, desmatamento cruel, poluição absurda que torna o mundo uma lata de lixo e o mar um depósito de plástico, não são aquilo de que a saúde da Terra está a precisar!

Mais de um milhão de humanos já foram levados pela covid-19. Quantos milhões foram afetados por essas mortes? Alguém consegue aferir o acréscimo de desgraça com a ausência das despedidas, a impossibilidade do conforto de familiares e amigos, a vedação ao ritual do luto, prática cujo entranhada na genética dos homens?

Dir-se-á que o mundo despertou para a solidariedade. Houve sinais de comoção, campanhas para alimentar os famintos, coletas para socorrer os milhões de invisíveis que, de um dia para o outro, ficaram impedidos de trabalhar.

Mas tudo voltará ao normal. Ou ao "novo normal", que significa "o anormal". E as violências contra o ambiente não cessarão, como não cessaram, em pleno auge da peste. Por isso, é preciso estar alerta. Governos não se comovem, senão quando estão ameaçados. A única possibilidade de reação consequente é a dos anônimos cidadãos que podem exigir um cobro dessa bem-sucedida empreitada de exterminação do futuro.

Que tal levar a sério a proclamação retórica de que o povo é o único titular do poder? O exclusivo detentor da soberania? Se todos se comportarem como a Constituição ordena, o Brasil poderá ser outro. Seguramente, muito melhor.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2019-2020


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