Opinião

Dia do combate à intolerância religiosa

Nos espaços públicos, deve-se manter neutralidade absoluta


.
ARTICULISTA EGINALDO ONÓRIO
Crédito: .

O tema despertou e vem despertando embates, desde o ano de 2007 e, para não variar, alguns que se colocam na condição de "privilegiados", em muitas oportunidades se fazem de desentendidos e n'outras agressivos desafiando pensamento garantido pelas mais altas disposições legais, tais como Declaração Universal de Direitos Humanos, Constituição Federal e até recomendações dos segmentos religiosos que confessam confessar!

A meu sentir e ao que presencio, os que defendem o Dia, buscam o respeito às religiões sejam elas quais forem, seus dogmas, doutrinas, posturas, rituais, notadamente em vista dos ataques literais causados por aqueles que professam fé diferente.

No ano de 2017, as denúncias desses ataques apontam 39% contra umbanda e candomblé, 17% católicas e 14% evangélicas, o que é deprimente apontar tais dados eis que a liberdade de confessar, manifestar e crer deveriam superar esses abusos.

Com o mais elevado respeito, que na religião católica, além da sensível perda de fiéis, são encontrados, em grande número muitos que se declaram católicos "não-praticantes", como também os que nutrem fé em um segmento principal e se declaram católicos, tal e qual o exemplo clássico da Mãe Menininha do Gantois, que se declarou católica!De mesma forma outros assim assumem por medo de eventual discriminação. Isso é fato!

Mantendo a mesma linha de respeito, os que se declaram "não-praticantes" não deveriam ser computados, por mascarar a verdade, vez que não basta ser, tem que praticar! No início do séc. 20 os que declararam católicos eram 90%. No Censo de 2000, 73,6%, dos quais 40% se declararam "não-praticantes". Hoje o percentual foi reduzido a pouco menos que 50%.

O tema é muito espinhoso e merece, a meu sentir, reflexão pois pode parecer estranho, mas vejam só o que aconteceu - segundo relato de um juiz de direito - no Fórum aqui em Jundiaí, onde uma senhora disse que somente adentraria a sala de audiências se o magistrado retirasse um crucifixo que ali estava instalado. Em respeito a testemunha, o magistrado atendeu ao pedido e determinou a seus servidores que a sala deveria ser mantida daquela forma a partir do ocorrido.

A ostentação de qualquer elemento com essa ou qualquer conotação deve ser muito bem pensada, a exemplo da Câmara Municipal de Campinas que, na inauguração do novo espaço, realizaram audiência pública onde discutiram pela manutenção ou não do crucifixo instalado na sede antiga, convidando estudiosos, um pela manutenção e outro não, sobrevindo aprovação pela não ostentação, como é até os dias atuais.

Na minha singela opinião, os espaços públicos deve-se manter neutralidade absoluta, pois que pertencem a todos indistintamente.

"Não existe religião melhor que a outa. A melhor é aquela que lhe faz maior". (Dalai Lama)

EGINALDO HONÓRIO é advogado


Notícias relevantes: