Opinião

Parece que foi ontem

Ainda bem que a pandemia não nos levou também a aptidão a sentir saudades


A pandemia nos privou de muita coisa em 2020. Privou os humanos do ritual do luto. Isso deixará sequelas. Privou também as celebrações. Quantas datas não deveriam ser celebradas e não puderam sê-lo? Isso aconteceu com tanta gente, inclusive comigo. Em 2020, deveríamos comemorar os 60 anos de formatura no antigo Ginásio Divino Salvador, assim como os 50 anos - Jubileu de Ouro - da graduação no bacharelado da PUC de Campinas.

Gregário como sou, já havia planejado encontros entre os remanescentes. Infelizmente, muitos já se foram. A turma do Divino teve entrega dos diplomas no Salão Paroquial de Vila Arens. Todo enfeitado de orquídeas, pois o pai de um dos formandos era orquidófilo: Orestes Loboda. Vejo na foto os então jovens, na faixa dos catorze anos, enfileirados por ordem alfabética: Ademir José Manzato, Bechara Jorge Kachan, Elcio Borgonovi, Elidio Bulisani, Eudimir Ricardo Bizarro, Fernando Álcio Fehr, Fernando Loboda, Francisco Lima, Ivan José Bernucci, João Griesius Filho, José Anselmo Contesini, José Carlos Tresmondi, José Eduardo Martins, José Renato Nalini, Luiz Alberto Moraes Pereira, Luiz Francisco Ferreira Bárbaro, Mariano Bezan, Norberto Pastre Júnior, Odilon Lopes de Moraes, Orlando de Jesus Moreira, Roberto Éber Marchi e Stefano Maria Moretti.

O orador da turma foi Picoco Bárbaro que, em seguida, ofereceu um jantar em sua casa, a legendária produtora de iguarias sob a batuta de Léta Bárbaro. Tempos bons, em que o Divino era dirigido pelo incansável e dinâmico Padre Paulo de Sá Gurgel, acolitado por outros sacerdotes salvatorianos que nos formaram à luz de sólida orientação. Padre Gabriel Contini, padre Mário Teixeira Gurgel, depois bispo de Itabira-MG, padre Angelo Zanella, padre Gervásio, padre Canísio, padre Miguel Schlerdon, padre Damião Prentke, frater Lourenço e frater Arnaldo. Entre os leigos, Daniel Hehl Cardoso, na educação física, Wilson Minzon, no desenho e Durval Fornari que nos ensinou a cantar em coral, nas incríveis aulas de canto orfeônico.

Tempos que deixaram saudades. Tantos sonhos, tantos anseios, tanto convívio solidário. Ainda bem que a pandemia não nos levou também a aptidão a sentir saudades.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


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