Opinião

Trem de alta velocidade e passageiros na pista

As conexões de passageiros em meio às rodovias continuam e merecem cuidados


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ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI
Crédito: divulgação

"O Brasil é o País do futuro." Quanto ouvimos quanto falamos e podemos continuar, mas a frase não emplaca. Há momentos que se tem a impressão que o caminho vai se abrir neste rumo, mas sempre é um sonho. Nos poucos anos sem inflação que antecederam a virada do século,o Ministério dos Transportes através do GEIPOT- Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes causou a impressão que assumiria importante decisão, elevando o País no contexto internacional. Foi o projeto do Corredor Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas, propondo o TAV, Trem de Alta Velocidade. O projeto, elaborado pela empresa alemã BMZ-Kreditanstalt für Wiederaufbau, era bom e tem seu relatório síntese em dois volumes. No primeiro de julho de 1998 consta Fluxos de Passageiros com Origem e Destino, mostra o esquema do Trem, e ainda a malha básica prevista para até o ano 2022. No volume dois de janeiro de 1999, há mapas e gráficos que mostra a Composição da Demanda de Passageiros com a média das cidades servidas inclusive Jundiaí. Além da Avaliação Ambiental, os dados levantados mostraram que a autonomia financeira do sistema era viável.

Proposto ao longo da Via Anhanguera por ser trajeto com grandes percursos retos, o TAV teria seu terminal na cidade ao lado da sua pista norte. Nesta fase, os estudos contaram com técnicos municipais, e a decisão foi pela sua junção com a então futura rodoviária, que foi edificada e inaugurada em março de 2007. Construído sob o pátio dos ônibus ele teria a plataforma do trem no nível da rodovia. Entre ambos haveria pavimentos técnicos e circulação vertical por escadas rolantes. Solução mostrava ainda condições de ter outras paradas para rápidas conexões dos ônibus que percorrem a Via Anhanguera. Estas sempre existiram, são precárias e sem segurança. Se construído, o projeto arquitetônico estaria abrigando um raro complexo modal inédito no País. Assim como o exemplar Metrô de São Paulo, este sistema estaria hoje alcançando outras cidades e capitais estaduais. Entretanto, à exceção da rodoviária nada mais aconteceu. Se os dados do TAV mostravam equilíbrio entre seu funcionamento e a clientela a ser atendida, lamentável não ter prosseguido. Pode até ter havido motivo, mas a descontinuidade das nossas metas é frequente, e com governo frágil sempre se perde para lobbies que atuam negativamente.

Construída a rodoviária, ajustadas as faixas da Via Anhanguera para a melhor eficiência do tráfego de pedágio, e feito o acesso às vias marginais da cidade, entendeu-se concluído o plano geral sem o TAV. Se o que era intenção maior não aconteceu, a menor foi esquecida. As conexões de passageiros em meio às pistas da rodovia continuam, e estão por merecer cuidados maiores ao usuário. É urgente que este fique protegido quando da troca de ônibus intermunicipal o que vem ocorrendo junto às passarelas de pedestres, onde ficam agrupados em acostamentos com calçadas exíguas e sem abrigo de proteção. Se o Grande Complexo tivesse acontecido esta atividade seria parte da solução e teria interligações úteis e com conforto digno. Mas se a nossa capacidade nunca chega onde precisa, cabe não se esquecer das necessidades menores para se obter um mínimo melhor do que está.

Antonio Fernandes Panizza
é arquiteto e urbanista


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