Opinião

Avanti, Guido

Aquele relato emotivo, familiar e descrevendo sua paixão pelo Palmeiras me tocou


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ARTICULISTA GLAUCO GUMETATO RAMOS ADVOGADO
Crédito: divulgação

Nossa existência é a somatória de pequenos pedaços de várias vidas vividas numa vida só. Altos e baixos com coisas mais ou menos marcantes. As amizades conquistadas e as paixões que nos movem certamente integram o rol das coisas marcantes de nossas vidas.

Amizades feitas na fase adulta nos marcam fortemente. A maturidade que se julga ter é capaz de nos mostrar amigos a quem nos aproximamos e admiramos por suas características pessoais. Já dentre nossas paixões há o futebol. Ah! O futebol... Nos alegra e nos angustia de maneira incisivamente bifronte.

Das amizades que fiz na vida adulta algumas me marcam positivamente. Uma delas estabeleci com o Guido. Atente-se à pronúncia de seu nome: "Güido". Não há trema na grafia, mas é como se ela lá estivesse a ditar o som a ser projetado. Guido é dos vários jundiaienses descendentes de italianos. Creio esteja aí um dos motivos que fez esse meu venerável amigo se tornar torcedor do Palmeiras.

A última sexta-feira foi véspera da final da Libertadores da América no Maracanã, entre Santos e Palmeiras. No fim daquela tarde, cerca de um quarto de horas após às 18, Guido compartilhou comigo um elegante texto que acabara de compor. Meu amigo palestrino é daqueles que cultiva o hábito da leitura, da reflexão e da escrita exercida por diletantismo.

Ali pude ler uma narrativa de sua vinculação histórica com alguns parentes e amigos que lhe serviram de esteio para consolidar sua paixão alviverde. Naquela prosa de evocação do passado surgiu a lembrança de seu avô, com quem tinha o hábito de ouvir jogos do Palmeiras pelo rádio. Intolerante que era ao frio, nos meses de inverno o avô gostava de ouvir os jogos pelo rádio do carro. Lembrava Guido que era um fusca, propositalmente deixado sob o sol para aquecer o avô e o netinho que em seu interior ouviam os jogos do Verdão.

Tão logo li o texto de meu amigo, telefonei-lhe para agradecer a gentileza em tê-lo compartilhado comigo. Aquele relato emotivo, familiar e descrevendo sua paixão pelo Palmeiras, além da saudade do avô, me tocou.

Ainda assim não deixei de lembrá-lo que eu, torcedor do Santos Futebol Clube, esperava mesmo é que o "Parmera" se estrepasse no jogo do sábado. Ainda esperançoso, àquela altura eu disse ao Guido que o Peixe levantaria pela quarta vez a Taça Libertadores da América. Rimos, nos despedimos e cada um a seu modo desejou sorte às avessas ao outro.

O jogo se foi, o Santos perdeu e o Palmeiras sagrou-se bicampeão do torneio intercontinental. Seria muita demagogia se eu dissesse que pra final do mundial eu vou torcer pro Palmeiras porque ali o "Palmeiras é Brasil". Esse papo, confesso, nunca me comoveu.

Mas como será o time desse meu amigo que estará lá disputando o mundial, sinceramente lhe desejo sorte rumo ao título. Avanti, Guido!

GLAUCO GUMERATO RAMOS
é advogado, professor da Fadipa e membro da Academia Jundiaiense
de Letras Jurídicas (AJLJ)


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