Opinião

Uma grama de exemplo

A educação a distância veio para ficar, com conteúdos mais sedutores e eficazes


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

É conhecido o brocardo "um grama de exemplo é melhor do que uma tonelada de conselhos". Mas aconselhar é fácil. Comportar-se de acordo com a retórica em voga é mais difícil.

O discurso dos adultos insiste na superficialidade do aprendizado, no desinteresse dos jovens, na incessante busca do prazer sensual e no desprezo por valores cívicos ou pela virtude. Mas qual o exemplo que os mais experientes fornecem às novas gerações?

Por isso é que existem tantos déficits acumulados num processo educacional que se importa com a transmissão de uma carga infinita de informações e dados, com a memorização e adestramento do aluno para saber responder às questões e pouco resultado oferece.

A despeito da fragilidade do sistema educacional brasileiro, há uma juventude capaz de conviver com o avanço das tecnologias disponíveis e extrair delas funcionalidades que transformam a convivência.

Para estes, que obtiveram êxito a despeito do anacronismo em regra detectado na escola convencional, vale o que o poeta Khalil Gibran afirmou: "Você pode se esforçar para ser como seu filho, mas não tente fazer com que ele seja igual a você".

Nem tudo está perdido nas novas gerações. Há inúmeros bons exemplos. O surgimento dos "unicórnios", as startups que atingem renda superior a um bilhão de dólares é uma prova. Embora muito atrás em uma educação eficiente para informática, eletrônica, telemática, tudo aquilo que as TICs trouxeram, o Brasil possui vários jovens vencedores.

Com a pandemia, evidenciou-se a inevitabilidade de um processo educacional que preserve o ensino remoto. A educação a distância veio para ficar, possui condições de elaborar conteúdos muito mais sedutores e eficazes do que as aulas prelecionais. Os docentes terão de assumir a missão de solucionar dúvidas, orientar o estudo, exercer uma tutoria praticamente individualizada de cada aluno. Como sempre deveria ter sido, antes da massificação do ensino.

Aos maduros pessimistas conviria uma inversão de papéis: deixar de pretender corrigir o mundo e aprender com o exemplo desses jovens que, apesar do descompasso entre escola e chão da fábrica, obtiveram sucesso em iniciativas pioneiras, audazes e ousadas. Eles têm muito a nos ensinar.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


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