Opinião

Ruídos provocam conflitos e estouram tímpanos

A pandemia aguçou a audição para problemas que antes não eram percebidos


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

Com a pandemia e o isolamento sendo cumprido nas residências, novos problemas começam a aparecer. Os ruídos urbanos provocados por inúmeras fontes, como máquinas, reformas e trânsito de motos com seus motores e escapamentos abertos aumentaram expressivamente, na mesma proporção que geraram reclamações.

Reformas e ruídos provocam desgastes entre vizinhos, condomínios e nas áreas residenciais da cidade.

O barulho do motor para quebrar as paredes e pisos impede o home office e a soneca do bebê. Com todos em casa, parece ser inevitável não entrar em brigas.

Nas mesmas áreas residenciais e por toda a cidade onde motoboys passam e aceleram seus motores ao máximo, o ruído que provocam parece um protesto com o inconformismo frente a todas as situações dessa parcela de trabalhadores que são explorados por inúmeros aplicativos muito bem implantados e impunes. A Lei 1.324/1965, que dispõe sobre ruídos urbanos (Lei do Silêncio), prevê sanções específicas por perturbação do bem-estar e do sossego público por motores que funcionem com escapamento aberto.

A Norma Brasileira (NBR) 10.151/2000, desenvolvida pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), também é usada para regulamentar a Lei do Silêncio, controlando o ruído em áreas residenciais da seguinte forma: até 55 decibéis para o período das 7h às 20h (diurno); até 50 decibéis para o período das 20h às 7h (noturno); caso o dia seguinte seja domingo ou feriado, a faixa de horário noturno é estendida até as 9h. Para se ter noção, uma britadeira produz 110 dB e o ouvido humano tolera no máximo 50 dB, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Com ou sem pandemia, as normas da ABNT têm de ser divulgadas e cumpridas. Resta saber agora como será feita a divulgação das leis municipal e federal em Jundiaí. A pandemia aguçou a sensibilidade auditiva para problemas que antes não eram percebidos. Os exageros precisam sensibilizar os gestores para que os atores tenham consciência e sejam penalizados sobre os ruídos que produzem.

EDUARDO CARLOS PEREIRA
é arquiteto e urbanista


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