Opinião

Sinais dos tempos

Por isso, não importa o tempo que a gente vive, mas, sim, o jeito como a gente vive


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ARTICULISTA DOM VICENTE
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"Atenção! Que ninguém vos engane!" (Mt 24,4).

Penso que muitas vezes ouvimos este tipo de pergunta: "será que tudo que vem acontecendo não seriam sinais do fim dos tempos"? Pode ser que você também já se tenha perguntado isso, no silêncio do seu coração, nas suas reflexões pessoais, observando as coisas ruins a sua volta e no mundo. A cada dia tantas coisas nos surpreendem, tanto em relação aos fenômenos da natureza - como o aquecimento global, a escassez de água potável, as mudanças climáticas-como também em relação ao comportamento humano, que em muitas situações é tão imprevisível e misterioso. Esta pandemia que enfrentamos aumentou muito este modo de pensar.

Muitos se recordam da expectativa de que o "fim do mundo"aconteceria no ano de 2000. E já se passaram mais de 20 anos. Ao longo da história, já houve vários "alarmes" sobre esta questão. E este tema parece persistir em nossa mente. A verdade é que a Bíblia Sagrada faz várias vezes menção ao "final dos tempos", e diz que quando todas essas coisas estiverem acontecendo, ainda não será o final (Mt 24,6). Ninguém sabe a data, o dia e a hora em que, de fato, chegará o fim dos tempos. Por isso, devemos nos apoiar na Palavra que diz: "vigiai e orai"(Mt 26,41) sem cessar.

Estar atento é sem dúvida uma atitude sábia e prudente. Sabemos que nada acontece em vão. A comunhão com o Transcendente, com o mundo, com os outros e com nós mesmos, nos permite ler "as linhas e entrelinhas" do que vai acontecendo ao longo da nossa passagem por este mundo. Se nem sempre é fácil captar as mensagens dos acontecimentos que nos circundam, é preciso ter olhos abertos e corações ao alto para garantir que tenhamos serenidade e discernimento para vivermos da melhor maneira possível o tempo que por aqui passarmos.

Três atitudes podem nos ajudar a vencer os medos que povoam o nosso interior e a insensibilidade diante dos sinais. Primeiramente, devemos nos levantar de nossas inseguranças, fragilidades e limitações, de todo desânimo que muitas vezes nos puxa para baixo. Precisamos ainda, no scolocar a caminho, não nos trancarmos em nós mesmos, mas fazer sim a nossa parte e tudo o que for possível para amenizar nossas ansiedades e medos. E, por fim, de modo todo especial, devemos crer em Deus.

Crer em Deus não significa "cruzar os braços" e esperar para ver o que vai acontecer. Crer em Deus nos dá dinamismo e criatividade, nos ajuda a entender que podemos ser colaboradores no cuidado desta obra magnífica da criação. Cada um fazendo um pouco e fazendo a sua parte, tudo tende a ser melhor. Diante dos sinais dos tempos, devemos sair de todo comodismo e nos colocarmos a serviço do bem comum. Por isso, não importa o tempo que a gente vive, mas, sim, o jeito como a gente vive. O possível a gente faz. O impossível, Deus fará. Sendo assim, cada um poderá ser um sinal de luz e de esperança no tempo em que vivemos!

DOM VICENTE COSTA
é bispo diocesano de Jundiaí


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