Opinião

O amor

O amor é a constante mais poderosa da natureza: contamina tudo


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MONJA KELSANG CHIME ARTICULISTA COLUNISTA
Crédito: divulgação

No budismo dizemos que o amor é um estado mental, uma escolha, um estilo de vida. O amor está em nós. Para isso, portanto, temos que primeiramente considerar os outros seres, que são o alvo do nosso amor.

Não é difícil entender uma mãe que ama seu filho, que para ela é muito especial, sente carinho e quer protegê-lo. Esse sentimento materno é parecido com o amor como estado mental.

Para amar e cuidar de um filho, uma mãe tem que superar suas preocupações individuais; quem ama seu filho cuida e protege , deixa de lado seus desejos pessoais, suas próprias necessidades... Tudo fica em segundo lugar.

Quando o filho cresce a mãe continua a amá-lo, e, apesar de tudo o que pode acontecer, esse amor nunca diminui.

No amor estado mental que mencionamos antes começamos por nos convencer o quanto os outros seres são especiais pra nós. Eles fazem parte do nosso mundo. São, na verdade, reflexos do nosso carma, e nos ensinam o tempo todo que devemos treinar para sermos melhores.

Sem os outros seres não saberíamos como evoluir. É preciso compreender que "a minha felicidade é importante pra mim, e a felicidade dos outros é importante pra eles, e nisso somos todos iguais."

Por sermos todos iguais, podemos ver o outro através de nós mesmos. Quando estou sofrendo, essa dor me machuca, da mesma maneira que quando outros estão sofrendo a dor deles dói em mim também.

Apesar da dor ter muitos níveis o sofrimento é doloroso igualmente para todos. Nisso também somos iguais.

Temos muitas coisas em comum com os outros seres; dividimos o mesmo planeta, o clima, a água... Inclusive as tragédias. Se nós deixarmos de lado só um pouco do nosso egoísmo vamos ver os outros seres como parte de nossa família.

Então o amor que sentimos pode ser aumentado. Incluímos todos, independentemente de qualquer coisa, diferença de gênio, gosto... eles serão nossos parentes.

Bons ou maus, não importa. O jeito que eu os vejo depende de mim. Se eu começar olhar para esses pensamentos com atenção logo estarei num estado de calma em relação aos outros.

Com calma podemos não ter medo deles, nem raiva. Olharmos para eles como uma mãe que vê seu filho. No budismo kadampa se diz que um minuto de amor é mais poderoso do que dar comida para todos os seres todos os dias.

O amor é a constante mais poderosa da natureza: contamina tudo. E onde há amor tudo pode ser superado. Qualquer obstáculo. Vamos aprender a amar, amar simplesmente, sem apego, sem cobrança e sem problemas. Esse estado mental é uma escolha diária.

O amor é assim.

Kelsang Gen Chime é monja budista


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