Opinião

Defensores dos preços baixos estão confinados

Era de se esperar variações nos preços, mas inflação de 16% em 12 meses é alta


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ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI
Crédito: divulgação

O coronavírus alterou o costume da família e, para sua proteção, se impôs o confinamento e buscou novos caminhos para a compra dos produtos de consumo. As casas comerciais se organizaram e adotaram o "delivery". Tendo sido um ano atípico era de esperar variações nos preços, mas inflação de 16% em 12 meses é alta. Por certo há vilões nesse meio, mas mesmo sem considerá-los, pode-se dizer que até o mais dedicado atendente, na urgência do trabalho, nem sempre percebe uma fruta manchada ou uma embalagem rasgada, mas o comprador não deixa passar. Sobre a validade da mercadoria ele busca o prazo adequado ao seu consumo, mas o vendedor usa a data do vencimento. O que se constata hoje é que o confinamento limitou a ida dos idosos às compras e dentre eles predominam exigentes e experientes.

Não havendo má intenção em ambos os lados a aquisição direta feita pelo comprador sempre é mais criteriosa. Difícil é quando logo na propaganda se anuncia a escassez de produto para atemorizar a clientela. No caso o experiente já despreza a mercadoria deixando-a na prateleira e busca alternativa, mantendo seu gasto no limite possível. Outra maldade frequente é a que vem com a mudança da embalagem, em cuja troca do pacote embalado pelo pote de plástico, o produto vem com outra consistência, e ainda de sabor alterado. Enfim, para enfrentar estas medidas desvantajosas o comprador tem de ser paciente, e hábil nas reclamações. Sua prática é uma ajuda para a preservação dos preços, mas confinados, não está podendo colaborar.

É bem verdade que a luta para não ser lesado nas compras está cada dia mais difícil, isto porque dentre os fornecedores há os que não são éticos e iludem a clientela, principalmente a que não verifica o preço e o peso da mercadoria. Há o caso de um queijo especial que é vendido em pedaços de 125 g ao preço de R$ 12,50, e também é exposto em embalagem diferente é vendido por R$ 25,00, ou seja, o queijo de cem reais o quilo é igualmente aceito pelo dobro. Da mesma forma os frios de qualidade também têm grande diferença entre os comprados no balcão e os já embalados em plástico. A diferença é absurda, pois se chega a pagar mais de duzentos reais o quilo de um salame que se pode comprar por sessenta reais num balcão do mesmo estabelecimento ou de uma padaria. Os que não reagem contra os preços extorsivos estão agravando a inflação.

Nos produtos mais volumosos de consumo diário tais como, arroz, feijão, farinhas, legumes, etc., os fregueses veteranos já estão habituados aos pratos alternativos para poder deixar a mercadoria em alta no lugar, e fechar sua compra no valor que deseja. Agora estamos num novo ano e parece que a vacina que chegou será, de fato, a nossa arma contra a pandemia. Se der certo é provável que haja o fim do confinamento e a retomada das práticas criteriosas de aquisição, indispensáveis para ajudar a estabilizar os preços e a inflação.

ANTONIO PANIZZA
é arquiteto e urbanista


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