Opinião

O menino se tornou homem

Se na "quebrada" onde ele reside, não existe apreço pelo bem, no Jd. Novo Horizonte há


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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE (NOVA)
Crédito: DIVULGAÇÃO

O menino, que conheci aos sete ou oito anos, na Associação Socioeducacional Casa da Fonte, que tem como mantenedora a Companhia Saneamento de Jundiaí - CSJ, se tornou homem com H maiúsculo.

Esteve conosco até os 18 anos. Hoje, aos 19, trabalha com carteira assinada em uma empresa conceituada. Participava de diferentes atividades com destaque para a capoeira e o jazz, nos quais se esmerava. Seu sangue forte, com raça, sempre fez sucesso nos eventos.

Disposto a ajudar em todas as coisas. Atento às necessidades do espaço. Foi parte da construção do projeto. Quando nos visita, chega com a alma ensolarada e é da mesma forma que o recebemos. Orgulho dele, pois embora tenha acesso a atalhos diversos, escolheu o que dignifica o ser humano.

Quando retornamos do recesso, neste ano, em uma das manhãs, fomos avisados, por moradores do bairro, que um indivíduo rompera o alambrado e furtava mangas, assessorado, na calçada, pela esposa e duas crianças. A voluntária - dedicadíssima e de mãos férteis - que cuida da horta e do pomar foi até o local e fotografou as pessoas. Ela é de enfrentar desafios. Resmungaram, saíram do local e, quando ela se afastou, o desaforado reapareceu para pegar a sacola de mangas. Uma forma de demonstrar superioridade pela força. Todas as vezes que alguém pede, na recepção, frutas ou produtos da horta, é atendido.

Ao ver as fotos, fiquei mais indignada, pois o sujeito tinha até uns fios brancos na barba. Vergonhoso. E que exemplo negativo para as crianças. Postei no Facebook minha braveza. O povo do bairro, que é maravilhoso, logo entrou em sintonia e com sugestões diversas.

O menino, que se tornou Homem com H maiúsculo, ao chegar do trabalho soube do ocorrido. Ficou revoltado. A criatura, que não mora no município, é próxima da família dele e estava em visita. Disse-lhe que crescera e se formara no projeto, onde sempre foi respeitado. E que se na "quebrada", em São Paulo, onde ele reside, não existe apreço pelo bem, no Jardim Novo Horizonte há.

No dia posterior, foi à Casa da Fonte para me dizer que ele e a família não tinham nada com o ocorrido, mas mesmo assim pediam desculpas.

Tão gratificante isso! Jovenzinho ainda com princípios sólidos para guiar sua história na claridade que salva.

Homem com H maiúsculo faz a diferença em uma sociedade que se perdeu da honestidade.

Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista


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