Opinião

ESPAÇO DO CIDADÃO


O CARNAVAL, SEM CARNAVAL

Pelo que aponta o calendário, estamos em pleno Carnaval. Mas a realidade sanitária do país (e do mundo) nos impõe um quadro diferente.

Embora distantes, os precedentes ainda trazem preocupação neste ano, quando o cancelamento se dá por razões sanitárias e, principalmente, de vida ou morte. Não é à toa que o poder público está mobilizando suas forças de fiscalização e policiamento para evitar que a desobediência civil promova desfiles ou bailes informais e, com isso, provoque o aumento da infestação. Por mais vontade que tenham, os foliões e aqueles que têm no Carnaval sua fonte de renda, precisam compreender o momento extraordinário. Evitar atitudes que possam potencializar a covid-19 e prolongar a sua presença em território nacional.

O Carnaval, além de festa popular muito ao gosto do brasileiro, é fonte de renda a milhares - talvez milhões de pessoas - que montam e atuam em bloco, escolas de samba, desfiles e bailes. Movimenta o turismo e a economia das localidades onde os eventos ocorrem. A não realização representa frustração de ganhos. Mas os protocolos sanitários, que proíbem a aglomeração e estabelecem o distanciamento mínimo de um metro e meio entre as pessoas, inviabilizam os acontecimentos carnavalescos, onde a interação entre os participantes é total.

As localidades, assim como os estados e a própria União, pelos seus órgãos que arrecadam em função do turismo e das demais atividades carnavalescas, têm hoje o dever moral de socorrer a grande massa dos realizadores da festa, que ficou sem sua fonte de renda e subsistência. As empresas da área precisam ser apoiadas - talvez com linhas de crédito - para suportar o período de inatividade, e os trabalhadores ora desocupados, reservadas as proporções e diferenças de atividade, devem ser apoiados com algo parecido ao seguro-defeso, que o governo proporciona aos pescadores no período em que a pesca não é permitida. Questão de isonomia e justiça social...

Dirceu Cardoso Gonçalves


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