Opinião

Ruptura silenciosa

O home office deveria revolucionar as empresas e o poder público


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

O mundo nos surpreende com o constante ruído da quebra de paradigmas. Nem todos os ruídos são ensurdecedores. Alguns ficam na zona do sussurro, quase imperceptíveis. É preciso olhos atentos para percebê-los.

Algo que já se detecta em pequenos núcleos é o desinteresse de alguns jovens por adquirir propriedades. O carro era símbolo de status há algumas décadas. Hoje é instrumento ambíguo. Toma conta de todos os espaços, as cidades passaram a servir ao automóvel e não ao ser humano. Eles poluem. Eles atormentam quem precisa se deslocar e enfrenta caótico trânsito.

A juventude prefere aplicativos. Não tem de pensar em espaço para guardar o carro, nem em abastecê-lo, nem em consertá-lo. Nem pagar altos seguros, pois o roubo e o furto continuam em voga.

Outra tendência é o desapego pela casa própria. O consumidor jovem e consciente migra do "ter" para o "usar". É o chamado nomadismo digital, que permite separar as funções. Não é mais necessário congregar grandes grupos no mesmo espaço físico. O home office veio para ficar. Isso deveria revolucionar as empresas e, sobretudo, o poder público.

Hoje se fala naturalmente em "coliving", ou seja, partilha de moradia. Ou em "multifamily property", sistemática hábil a baratear o custo de vida. Morar é muito caro. O IBGE prova que as famílias brasileiras gastam 17% por mês em alimentação e 36% em moradia. Se eu vier a residir em prédio que tenha equipamentos para uso comum, seja para o trabalho a distância, seja para lavanderia, sala de ginástica, videoteca, piscina e outras utilidades, eu simplificarei minha vida. O melhor é que se eu residir em imóvel com serviços compartilhados, espaço de coworking e internet potente, eu economizarei cerca de 30% do meu orçamento doméstico mensal.

Quem não estiver convencido, leia o livro "Como viver em um mundo sem casa", organizado por Alexandre Frankel, empreendedor imobiliário da Vitacon e Housi, criador de vários e exitosos projetos concretizadores de uma nova filosofia. Quem depende dos financiamentos habitacionais sabe que o sonho da casa própria facilmente se converte em pesadelo.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


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