Opinião

Matas remanescentes precisam de proteção

A melhor cidade do Brasil precisa explicar como será o que já aprovou


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

Os espaços vazios importantes garantem a paisagem e a qualidade ambiental na parte mais antiga da cidade. São raras as áreas nesses vazios com mata atlântica, especialmente na malha urbana, por isso precisam ser especialmente protegidas, além, evidentemente, da proteção que a lei já exige.

Pelo menos duas dessas áreas são motivo de preocupação com o destino que terão: o Vale dos Guaribas e o Passarin. Para quem não se recorda, o Vale dos Guaribas abrigou um zoológico e teve um momento de uso público. Dizia-se que era uma doação para Jundiaí, mas não foi bem assim e agora, com muito menos área de mata, esse remanescente precisa ter sua vida garantida.

A segunda área tem peculiar paisagem, é constituída pela área envoltória do restaurante Passarin, que foi popular nos anos 60 e 70. Sua área de lazer, com um grande maciço de bambus, atraía nos finais de semana uma clientela paulistana que vinha pra Jundiaí especialmente pra almoçar e passar a tarde do domingo. Parada no tempo, não apenas permaneceu intacta, mas sua reserva de mata aumentou, expandiu e se consolidou hoje com uma quantidade de bichos, pássaros, indivíduos arbóreos que explodem visivelmente. São resquícios de mata atlântica e necessita de preservação, afinal, há pressão de um mercado imobiliário que parece mais ávido e agressivo do que um Plano Diretor suporta ou que usam no limite tudo o que é permitido fazer: construir, ocupar, terraplanar, construindo uma parede de prédios de 22 andares que será um pesadelo para o futuro e para seus moradores.

Uma prova é um empreendimento imenso que vem sendo implantado entre as duas áreas de matas que abordo aqui. Ao lado da estrada de Itatiba no morro à direita uma grande terraplanagem já foi feita e já é possível ver os aterros que chegam na divisa da mata, terra solta em cima e, embaixo, a mata no limite das propriedades.

Providências precisam acontecer. A melhor cidade do Brasil precisa explicar como será o que já aprovou para que não tenhamos surpresas, empreendimentos em lugares que precisam estar e que convivem com a natureza são necessários... mas outros que evidentemente exploram ao máximo o terreno, o ambiente e a vida, desses é melhor que a gente tome conhecimento sim!

Entendo que o planejamento, o Condema, mesmo em tempos de cólera, precisam nos explicar o que já foi aprovado o que fica e o que vai sobrar dessas áreas de matas consolidadas e por que esses empreendimentos, que se beneficiam das áreas vizinhas de matas, não fazem contrapartidas? Promovendo e ajudando a manter o que se deve preservar... é visível que as divisas das áreas com terraplanagem não tem áreas de amortecimento... por que não tem? Não é suficiente também que essas aprovações fiquem restritas à imprensa oficial. Sua divulgação precisa ser amplificada.

EDUARDO CARLOS PEREIRA
é arquiteto e urbanista


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