Opinião

A vez da economia circular

A sustentabilidade não pode ser mais um verbete para a retórica


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Esta década é muito importante para o futuro do planeta. Tudo o que se fizer na Terra precisará se submeter à tríade ESG, sigla para evidenciar a preocupação com o ambiente, com o social e com a governança. O primeiro mundo acordou antes do que nós. O que é praxe. Aqui, tudo chega com certo atraso. Mas o importante é que chega.

A sustentabilidade não pode ser mais um verbete para a retórica e para o marketing. Tem de ser levada a sério. Em todos os níveis, por todas as pessoas. Os recursos naturais chegaram à exaustão e a destruição da floresta, com os incríveis incêndios do Pantanal, área líquida por excelência, evidenciam o desastre absoluto. O planeta sabe que se não houver restauração dos habitats exterminados, com a regeneração da biodiversidade, o fim dos tempos estará muito mais próximo do que se poderia imaginar.

Enquanto governos federais ficam envolvidos em questões eleiçoeiras ou reeleiçoeiras, cumpre levar a sério a Federação. Se o Brasil escolheu uma fórmula assimétrica, em que os municípios também têm assento como entidades federativas, isso deve trazer consequências. Por isso o protagonismo das cidades. É na cidade que as pessoas vivem. Nelas estão os interesses legítimos. Cada habitante está chamado a fazer de sua cidade a melhor opção para existir e para atender às finalidades que justificam nossa permanência no planeta.

Não se pode permitir que as cidades pereçam como lamentáveis exemplos tão próximos de nós o atestam. Excesso de descarte, lixões, poluição generalizada. Sujeira, imundície, moradias indignas, fealdade.

Algo que os municípios devem fazer, e com urgência, é pensar em logística reversa e em economia circular. Aquilo que as empresas produzem, é responsabilidade delas. Tudo precisa ter um fim sustentável. Para isso planeje-se o acompanhamento efetivo, até que o material retorne à origem. É sintoma de ignorância e de subdesenvolvimento a existência de lixões ou desmanches. Ou o dispêndio de bilhões em sistema de coleta e armazenamento de dejetos sólidos.

Em sociedades civilizadas, não existe o deprimente espetáculo de lixo em todos os espaços, de reciclagem absurdamente reduzida. Ou, como acontece aqui, uma reciclagem que reflete a pobreza e a indigência. O que se recolhe em latinhas de alumínio e garrafas pet não traduz consciência ecológica, senão a única alternativa para os catadores não morrerem de fome.

Atenção cuidadosa merece o chamado e-lixo. Vive-se na irreversível imersão na Quarta Revolução Industrial e o Brasil produz dois milhões de toneladas de e-lixo a cada ano. O e-lixo é constituído de equipamentos obsoletos como computadores, notebooks, tablets, celulares e acessórios. Fios, teclados, mouses e carregadores.

Desse total apenas 2% são descartados corretamente. É algo que só tende a crescer, porque a obsolescência é uma característica de toda bugiganga eletrônica. O que fazer com esse excesso de produtos perigosos aleatoriamente descartados?

Comecemos com a infância. A criança, mais sensível e preocupada com o ambiente do que uma geração ávida por desperdiçar e descartar, precisa aprender o que é economia circular. Não se joga lixo, principalmente o e-lixo, em qualquer lugar. Ele precisa ser destinado a locais próprios e capacitados a desmontá-lo. O material jogado fora precisa retornar para a indústria e servir de matéria-prima para a fabricação de novos produtos. É mais econômico, é mais higiênico, é mais saudável, é mais sustentável.

Se isso vier a ser feito, o ambiente agradecerá e a economia permitirá o enfrentamento de outras deficiências de uma sociedade complexa e hoje tão atacada por inúmeras crises, das quais a pandemia não é a menor.

Há o movimento Greenk, resultante de geek green, cuja missão é conscientizar as pessoas sobre o descarte correto de eletrônicos. Veja como funciona em www.greenk.com.br. Todavia, qualquer outra ideia é também muito bem-vinda.

Ajude a natureza e ajude o seu próximo. O mundo tem de ser melhor.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


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