Opinião

Eternos encantos

Mulheres que me deram felicidade, quando eu mais ansiava por ser feliz


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

E esta ilusão amada, vem pela primavera

Perfuma minhas dores com sua doce vinda

E ressuscita o encanto dessas horas primeiras

em que foste o milagre de luz em minha vida.

Pablo Neruda

Neste 8 de março, dedica-se anualmente ao dia internacional da mulher. O objetivo de relembrar as lutas sociais, políticas, econômicas das mulheres no mundo todo. O fato maior indica que ela surgiu na Revolução Russa de 1917, a qual esteve marcada por diversas manifestações e reivindicações por parte das mulheres operárias. Foi em 8 de março de 1917 que cerca de 90 mil operárias russas percorreram as ruas reivindicando melhores condições de trabalho e de vida, ao mesmo tempo que se manifestavam contra as ações do Czar Nicolau II. Esse evento, que deu origem à data, ficou conhecido como "Pão e Paz". Isso porque as manifestantes também lutavam contra a fome e a primeira guerra mundial (1914-1918). Pondo-se a frente de seu tempo, estas mulheres se tornaram como símbolos vivos dos que têm fome e sede de justiça. O despertar da consciência política assumiu a feição de verdadeira convicção religiosa. Mais que isso, toca-me o forte sentimento humano, demasiado humano destas mulheres de sempre a desejar o bem de outrem. Mas não posso mais me contentar com os registros históricos, nem com o que foi escrito. Eu tenho que pensar por mim mesmo, se quiser compreender estas fascinantes coisas da vida.

Diziam os sábios, que só uma coisa pode deixar a alma completa: é o amor. E para elas, mulheres da minha vida, que eu quero dizer deste amor. Suave sentimento que escapa do meu refúgio íntimo, nascido de dentro da alma. Afago-o com a doce força do desejo de gratidão. Mulheres que iluminam meu caminho e revelam o sublime principio da vida: vivê-la em sua plenitude.

À primeira, faço penitência na fraqueza e na tristeza de não ter declarado em vida, todos os sentimentos, que lhe pertenciam. A distância do lar me afastou da constância do seu abraço mais caloroso, do beijo mais doce, do afago mais carinhoso. Faltaram-me muitos dias das mães. Silenciaram as palavras que sempre quis dizer e se calaram no meu peito. Sua meiga presença morena no meu crescer dos anos, espelha a imagem que ficou da mulher, forte e destemida, que jamais deixou de se dedicar e se entregar na criação dos seus filhos.

À segunda, a companheira, abrigo do consolo de minhas tristezas e o relicário da guarda das minhas alegrias. Assim nos conhecemos, assim nos amamos e assim somos felizes. Somos felizes não uma vez só, somos felizes. Somos felizes com os filhos que criamos, com os netos que nos presentearam, somos felizes com que Deus nos reservou.

À terceira, fruto desta união é a doce criança, que nos encantou em seus primeiros passos, a amorosa menina dos abraços afetuosos dos fins de tarde. Hoje a filha mulher. Tão jovial, tão cheia de vida e exalando o atraente perfume natural do afeto e da ternura. Mimoseou-nos com duas joias da vida.

À quarta, a doce bailarina do meu encantamento. A neta Leticia. Os cabelos dourados, a meiguice do olhar. Como não renascer em nosso íntimo o sentimento da eternidade? Como não sonhar acordado e ter suspensa a vida num "vovô", que não se sabe o encanto que tem.

Por certo estas palavras não expressam a intensidade dos meus sentimentos neste dia que lhes pertence, mas há de sensibilizar suavemente em seus corações, o quanto estou agradecido. São Mulheres. Mulheres que me deram felicidade, quando eu mais ansiava por ser feliz. Descortinam em meus olhos, muitas vezes opacos, de que sempre haverá um amanhecer luminoso e um crepúsculo colorido. Avivam o brilho das estrelas e realçam o aconchego da madrugada. Mais que isso, me fazem o milagre de luz em minha vida.

GUARACI ALVARENGA é advogado


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