Opinião

Movimentos e emoções

A ligação entre corpo e emoção é muito mais antiga e é observada por pesquisadores


ALEXANDRE MARTINS
ALEXANDRE MARTIN ARTICULISTA
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Olá! É um prazer estar contribuindo para a coluna desse eminente jornal! Tenho certeza de que compartilhar conhecimento é o caminho mais rápido para a evolução do indivíduo perante si e também dentro da sua sociedade; por isso então, eu agradeço a oportunidade de escrever.

Para meu primeiro artigo, gostaria de convidá-los, caros leitores e leitoras, a uma reflexão sobre uma das principais e mais antigas vias de expressão do ser humano: o corpo.

O corpo se expressa por meio de seus movimentos, sejam esses de deslocamento do corpo como um todo no espaço ou mesmo com os mínimos movimentos de partes do corpo, como nos músculos do nosso rosto, quando expressamos as nossas emoções.

Essas emoções podem ser provocadas por eventos no meio ambiente em que o indivíduo se encontra, ou mesmo serem provenientes da sua memória. Uma vez presente, a emoção desencadeia uma cascata de atividade eletroquímica nas células do nosso sistema nervoso criando uma rede de ligações entre medula, cerebelo e diferentes áreas do cérebro que irá resultar em um plano de movimento que o nosso corpo irá seguir, contraindo e relaxando os músculos necessários para que ele se torne realidade.

Esse processo muitas vezes acontece literalmente em uma fração de segundo, tanto que reagimos imediatamente às emoções, tensionando e relaxando os músculos, mesmo antes que elas se tornem conscientes.

Esse processo é automático e comum a todos os seres humanos, independente da sua cultura ou nível de inteligência. O psicólogo americano Paul Ekman criou todo um sistema analítico sobre expressões faciais, demonstrando que essa reação é tão fidedigna e precisa que pode ser utilizada para saber se a pessoa está sendo honesta ou não.

A ligação entre corpo e emoção é muito mais antiga e pode ser observada por vários pesquisadores atentos ao comportamento do indivíduo. Dentre muitos, vale citar o naturalista Charles Darwin, em seu belo, mas infelizmente pouco conhecido livro "A Expressão das Emoções no Homem e em Outros Animais" onde sugere que o animais também reagem a emoções com movimentos nos seus corpos e que seria essa uma característica comum entre eles e humanos que justificaria a teoria da evolução através da seleção natural, tal como ele havia publicado pouco antes.

Gostaria de estender um pouco mais essa ideia, pois ouso pensar que todo o corpo, todos os músculos e as estruturas que os acompanham, em maior ou menor grau, reagem a todo tipo de emoção. Alguns aumentam a sua tensão, mesmo quase sem se mexer, alterando o seu metabolismo celular.

Imaginemos então a situação que vivemos por quase um ano: o distanciamento social onde muitos são os conflitos e as emoções de ansiedade e angústia geradas pelas incertezas do amanhã. Entre os médicos é evidente o aumento dos casos de tendinites, dores musculares e posturais no período de pandemia. É justo atribuir esse aumento à demanda física do home office, a má ergonomia dos nossos lares que rapidamente foram convertidos em escritórios e mesmo o esforço para tarefas domésticas com as quais não estamos acostumados. Porém eu acredito que isso não explica tudo.

Desde os seus primeiros registros, a medicina tradicional chinesa considera a ligação entre mente e corpo, onde este último se torna um palco onde as emoções são constantemente representadas, trafegando por canais de energia, conhecidos por meridianos ou mesmo chakras e nadis.

O tratamento dessas doenças, visando a sua causa primária, passa pela regularização desse fluxo de energia, de forma que ela seja expressa e se vá, evitando o acúmulo em forma de tensão nas estruturas do corpo onde poderia criar problemas.

Desde que tive consciência desse fluxo integrativo entre mente e corpo, o norte da minha prática diária, diante dos meus pacientes e comigo mesmo, tem sido criar e implementar meios para a expressão do indivíduo em si próprio, no seu corpo.

Convido agora que você, então, abra espaço para a expressão do seu Eu. Seu corpo agradece!

ALEXANDRE MARTIN é médico formado pela Unicamp, osteopata e acupunturista


Notícias relevantes: