Opinião

Refletindo sobre a saúde

Como cuidar de todas as gerações para aumentarmos a saúde de todos?


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COLUNISTA LICIANA ROSSI
Crédito: divulgação

Você está perdendo saúde nestes últimos meses ou se cuidado melhor? Por conta de autodescuido, pelo estresse, ambientes pesados, política, atmosfera de incertezas e pessimismos, medo de doenças... a pandemia fez com que percebêssemos a importância que a saúde tem no mundo. Será que entendemos que quem tem mais saúde sobrevive mais, é a natureza que seleciona os mais fortes, isso quem disse não fui eu, foi Darwin.

Você consegue pensar a respeito de sua saúde com clareza e autocrítica? Consegue enxergar onde está o problema? As estatísticas mostram que os brasileiros não estão tão bem como imaginávamos. O Ministério da Saúde divulgou que a obesidade cresceu 60% em 10 anos no Brasil, sendo que uma em cada cinco pessoas está obesa atualmente, dados estes de antes da pandemia. E isso colaborou para o aumento do diabetes e da hipertensão.

Estes problemas de obesidade, diabetes e hipertensão, associados ao estresse e a todo ambiente conturbado pelo qual estamos passando, me assusta, essa atmosfera de incertezas, empobrecimento dos países, queda de renda das famílias, falta de movimento devido ao lockdown, crianças sem brincar e todos sem contato social... somos seres sociais e o isolamento adoece principalmente aos mais vividos. Infelizmente, tenho que afirmar que estamos perdendo saúde!

Nas últimas décadas, mudamos muito nossos hábitos alimentares para pior. O consumo de feijão, por exemplo, diminuiu no Brasil, o país do arroz com feijão, comidinha nutritiva e confortante. Em contrapartida, aumentou o consumo de alimentos industrializados e fastfoods, houve um consumo menor de comidas frescas e água, mas o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas aumentou também. E isso vem preocupando as autoridades de saúde, e não é para menos. Vocês entendem que países com alimentações ruins, pessoas que não se cuidam, tiveram mais problemas com sua saúde em época de pandemia?

Os índices infantis são impressionantes, eu diria que preocupante, pois 18% das crianças se encontram na faixa de excesso de peso em virtude de todas as mudanças culturais e tecnológicas das últimas décadas, esses dados foram colhidos antes da pandemia. Sabemos bem que muitos doces e carboidratos hoje resultarão em diabetes amanhã. Mas aí entra a situação econômica, onde é caro comer bem. Uma fruta está mais cara que um pacote de biscoitos, a água às vezes sai mais cara que um suquinho industrializado. É sobre este tipo de reflexão que chamo a atenção. Quando perceberemos que apenas com saúde a humanidade seguirá?

Ao mesmo tempo que o número de pessoas que praticam atividades físicas aumentou no Brasil de 22,7 % em 2016, para 30,1% da população em 2019, é animador, mas ainda pouco, a preocupação com a alimentação e os problemas financeiros da população fizeram com que se consumisse o mais barato e não o mais saudável. Como ter saúde com crianças consumindo excesso de açúcar e produtos industrializados? Isso favorece o déficit cognitivo, problemas de aprendizagem. Dar açúcar e exigir que uma criança acompanhe com atenção uma aula on-line não faz sentido. Ela ficará agitada e logo depois terá uma queda glicêmica e terá sono e fadiga. Sem contar o tempo parada em frente ao computador, sem gastar energia, aliás, só ganhando energia com o tipo de alimentação que vem sendo oferecido.

O que fazer então? Por onde começar? Como cuidar de todas as gerações para aumentarmos a saúde de todos os brasileiros? Minha sugestão é olharmos para a alimentação e para o movimento. Já é um caminho, uma estratégia de saúde que pode ser adequada a todos os bolsos e tenho certeza que a longo prazo trará economia para as famílias, para nossa cidade, nosso estado e nosso amado país.

Que alguma estratégia seja bolada a partir de agora para que a saúde seja a protagonista, mas de maneira preventiva, positiva, garantindo saúde e disposição para nossa retomada em todos os sentidos, pois é através dela que poderemos chegar aonde quisermos.

Os dados são alarmantes, mas não vamos perder esta luta, vamos? Refletindo, organizando a alimentação para não cair na tentação de comer o mais rápido e fácil, que nem sempre é o mais saudável, lidando bem com estresse do período e garantindo às crianças uma educação alimentar e a todos mais movimento e atividades físicas, passaremos por mais esta crise no nosso amado país com mais saúde.

LICIANA ROSSI é educadora física; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva - NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 e Holistic Life Style Coach/CHEK


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