Opinião

De olho no futuro

O interior de SP pode e deve tomar a frente na modernização da economia


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Miguel Haddad
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Graças a um notável feito da Ciência, que conseguiu criar as vacinas em tempo recorde, já podemos vislumbrar, embora ainda distante, o final da pandemia.

Como será o mundo pós-pandêmico? A referência histórica que temos de circunstância semelhante é o pós-guerra, quando saímos, em 1945, da devastação da 2ª Guerra Mundial para uma grande expansão econômica. Seria possível imaginar um futuro igual para a devastação do presente?

Em janeiro de 2020, poucas semanas antes do início da pandemia, o Fórum de Davos havia proposto - em razão dos impactos, a cada dia mais evidentes, do aquecimento global -uma mudança profunda na economia, que passaria a incluir em seus fundamentos a preservação do meio ambiente, a chamada economia verde.

O grande entrave para essa mudança era, então, a visão do presidente Donald Trump, que retirara os Estados Unidos do Acordo de Paris, o tratado mundial de combate ao aquecimento global, enfraquecendo o seu alcance. Mas o revés efetivo à implantação dessa proposta se deu com a pandemia da covid-19, que galvanizou a atenção mundial e colocou o combate à deterioração do clima em segundo plano.

Mesmo assim, passos importantes foram dados. As nações que permaneceram comprometidas com o Acordo de Paris - Japão, China e os países da União Europeia, entre outras -, estabeleceram como meta a emissão zero de carbono até 2050.

A guinada final veio agora, com a derrota de Trump. Tão logo Joe Biden assumiu o governo os Estados Unidos, voltaram a participar do Acordo de Paris, comprometendo-se a cumprir as metas do tratado, tornando com isso a economia americana uma economia verde. E assim será a economia mundial.

Para financiar essa gigantesca mudança, os Estados Unidos estão destinando uma verba de 2 trilhões de dólares. Os demais países ricos, como o Japão, a Alemanha e a China, entre outros, estão também alocando somas importantes com o mesmo objetivo.

Na economia verde o Brasil reúne, em razão da riqueza sem igual dos seus múltiplos ecossistemas - temos a maior área florestal do mundo - e de sua matriz energética, assentada em hidrelétricas e não na queima de combustíveis fósseis, as condições necessárias para tornar-se uma potência ecológica. Cuidando do nosso meio ambiente poderemos sequestrar imensas quantidades de gás carbônico e negociar nosso superávit, sob a forma de créditos de carbono - a nova commodity do novo mercado.

De olho no futuro, o interior de São Paulo - o chamado Brasil que deu certo - pode e deve tomar a frente no processo de modernização da economia nacional. Jundiaí - que recentemente, segundo pesquisa da revista Exame, alcançou o posto de melhor cidade paulista para se viver -, e região, têm as condições necessárias para estar na linha de frente no esforço para a implantação da economia verde brasileira.

Temos dado, ao longo dos anos, passos significativos nessa direção. A cidade tem 100% do seu esgoto tratado e coletado; o represamento de água tem nos garantido pleno abastecimento mesmo em épocas de severa estiagem; o nosso rio Jundiaí, mercê do trabalho de sucessivas administrações, está hoje no topo das avaliações nacionais dos órgãos competentes; a Serra do Japi tem sua área de preservação intocada e nada impede que a mata se expanda e venha a se espraiar por toda a cidade; estamos iniciando um trabalho com o mesmo objetivo na Serra do Mursa, de Várzea Paulista; e nessa direção se encaminham os demais municípios da nossa região.

Além disso, contamos com uma educação municipal de qualidade, moderna, capaz de formar toda uma geração consciente da necessidade da preservação ambiental, universidades em condições de realizar as pesquisas e estudos necessários e um parque industrial e de comércio com negócios em escala planetária, que já vem atendendo as normas internacionais ditadas pela economia verde.

Temos o que precisa para sair na frente.

Vencida a pandemia, essa será a luta na qual temos de nos engajar para garantir, no futuro, a continuação da prosperidade e da melhoria de vida da nossa população.

MIGUEL HADDAD é ex-deputado federal por Jundiaí


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