Opinião

Jundiaí e o Clube dos Estados

Chãins Miranda Duarte era a mais fervorosa jundiaiense que eu conheci


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Meu amigo João Carlos Martinelli me encaminha uma foto que me deu muitas saudades. Em casa de Mariazinha Congílio, à rua Senador Fonseca, reuniu-se, a convite dela, um grupo de jundiaienses para cuidar da criação do "Clube dos Estados".

Vejo na foto Inocêncio Mazzuia, Oswaldo Bárbaro, Alfredo De Francesco, Heraldo Perri, Rubens Noronha de Mello, Ariosto Mila, Jair Acioly, Fábio Rodrigues Mendes, Gabriel da Madureira Pará, Aguinaldo de Bastos, Chãins Miranda Duarte, Jorosil - Josefina Rodrigues da Silva, Judith Arruda Carretta, Mariazinha Congilio, Luiza Mathion, Mercedes Cruañes Rinaldi e Jacyro Martinasso.

A ideia do "Clube dos Estados" era fazer com que cada estado da nossa Federação tivesse um representante e falasse a respeito da história, da cultura, das tradições, do folclore dessa entidade a cada reunião mensal.

Houve algumas reuniões. Sei que eu representava o Piauí. Impressionante nessa foto verificar o quanto Jundiaí perdeu nas últimas décadas. Personalidades sempre dispostas a trabalhar por sua cidade, sem remuneração, por amor. Pelo mero prazer de fazer de Jundiaí uma cidade mais dinâmica, mais culta, mais vinculada a tudo o que acontecesse no mundo, desde que a causa fosse nobre.

Um curto passeio por essas existências é o suficiente para mostrar o que Jundiaí foi naquela segunda metade do século 20. Inocêncio Mazzuia foi um historiador, junto com seu irmão Mário, pesquisou arquivos antigos e colaborou para esclarecer pontos obscuros da fundação de nossa cidade. Oswaldo Bárbaro teve vida pública e agitou a Ponte São João, junto com D. Leta, participando de todos os movimentos pelo bairro e por Jundiaí. Além do bufê que marcou época. Alfredo de Francesco e Heraldo Perri eram do Lions Clube, sempre beneméritos. Também atuaram na disseminação do tênis, esporte em que Jundiaí sempre sobressaiu.

Rubens Noronha de Mello foi juiz do Trabalho, depois secretário municipal na gestão Walmor Barbosa Martins. Seu cunhado Ariosto Mila foi um dos mais prestigiados arquitetos brasileiros. Chegou a ser Diretor da FAU-USP, elaborou projetos que ganharam fama, colaborou com a criação de um órgão de defesa do patrimônio histórico local.

Jair Acioli de Souza foi pianista clássico, professor de piano, sua mãe, Jandira, foi a primeira vereadora de Jundiaí. Fábio Rodrigues Mendes, poeta e professor, Gabriel da Madureira Pará, dentista escritor e muito culto, assim como Aguinaldo de Bastos. Advogado da melhor estirpe, era também poeta. Em todos os acontecimentos de intelectualidade na nossa cidade, lá estava ele.

Jacyro Martinasso mereceria um capítulo à parte. Promoveu Jundiaí presidindo as mais bonitas Festas da Uva que já aconteceram nestas plagas. Foi um empresário bem-sucedido. Que o digam Vinagre Castelo. Sua chácara na rua do Retiro era cedida gratuitamente para todas as festas beneficentes. Um benemérito do Carmelo São José e muitas outras coisas.

E o que dizer dessas mulheres? Chãins Miranda Duarte era a mais fervorosa jundiaiense que eu conheci. Professora eficientíssima, era amada por seus alunos. Escreveu nos jornais de Jundiaí e liderou várias campanhas meritórias.

Jorosil foi poeta e partícipe de tudo o que de bom, na área cultural, aconteceu em Jundiaí. Judith de Arruda Carretta era também poeta e professora de etiqueta. Mulher fina e sofisticada.

Mercedes Cruañes Rinaldi e Luiza Mathion, duas outras jundiaienses ilustres. Escritoras, poetas, benfazejas.

E Mariazinha Congílio?

Não houve quem mais promovesse Jundiaí do que ela. Jundiaí se tornou conhecida quando ela participou de "O céu é o limite", respondendo sobre Machado de Assis. Trazia artistas e intelectuais para a sua casa. Escreveu dezenas de livros. Fundou a "Pensão Jundiaí", o Clube Soroptimista, fez de Jundiaí cidade-irmã com municípios italianos.

Era a "Mariazinha de Jundiaí", atuando fervorosa e espontaneamente, financiando projetos e arcando com as consequências de quem se dispõe a trabalhar em nome da coletividade.

Quantas saudades e quantas lembranças essa foto propicia!

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


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