Opinião

No Brasil, as dificuldades e desafios

A equipe econômica quer melhorar o nível da atividade no próximo tri


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MESSIAS MERCADANTE DIRETOR ADMINISTRATIVO DA CAMARA MUNICIPAL ECONOMISTA
Crédito: divulgação

Com uma população economicamente ativa de aproximadamente 110 milhões de trabalhadores e, tendo como parte desse contingente, cerca de 50 milhões entre desempregados, subempregados e desamparados, o Brasil deixa de usar essa força de trabalho, para gerar riquezas e rendas, o que tem nos levado a um persistente baixo nível de crescimento econômico, não somente agora, mas desde a década dos anos 80.

Essa realidade desalentadora vem provocando, de forma acentuada, o empobrecimento de grande parte da população e tornando cada vez mais díspare a distribuição da renda em nosso País, com os ricos mais ricos, circunstancialmente e, os pobres, mais pobres.

Os efeitos nefastos dessa realidade estão fortemente presentes em nossa economia e travam a atividade econômica, com efeitos negativos em toda uma cadeia de variáveis, que se interconectam, da microeconomia à macroeconomia, vejamos: o baixo nível de renda dessa população induz, lamentavelmente, a um baixo nível de consumo de bens e serviços ou subconsumo, que, consequentemente, não sustenta a atividade do comércio e indústria, que experimentam sempre processos intercadentes em suas atividades, não lhes assegurando, portanto, a confiança necessária para ampliarem os seus negócios, investirem em tecnologias e contratar trabalhadores.

Esse ciclo perverso que, naturalmente, não atinge a todas as atividades econômicas, gera também, como resultado, problemas na Previdência Social, com menos contribuintes; problemas para o orçamento do setor público, com arrecadação tributária menor para os municípios, estados e União, provocando déficits públicos e aumento da dívida pública.

Nessa cadeia de valores, o principal vetor de desenvolvimento econômico sustentável dos países - os investimentos, aqui no Brasil, está prejudicado pelos fatos registrados e pela incapacidade de investir do setor público.

Temos um quadro de dificuldades que, se acertarmos em nossas políticas social e econômica, poderemos minimizá-las no médio e longo prazos. Todavia, podemos verificar que não estão sendo poucos os esforços do governo, para melhorar a infraestrutura e a qualidade de vida em nosso País.

Foi aberto ao capital privado, nacional e estrangeiro, a concessão para o saneamento básico e, em três Estados, empresas multinacionais já estão investindo no tratamento de água e esgoto; rodovias e ferrovias estão sendo construídas e na semana passada, foi inaugurado, pela Concessionária Rumo, um trecho de 172 Km da Ferrovia Norte-Sul, que passou a ligar São Simão (GO) à Estrela D'Oeste (SP), conexão para escoamento de grãos para o Porto de Santos, o que permitirá redução do custo de frete.

Privatizações de empresas estatais estão em curso e poderão se concretizar dentro dos próximos 12/18 meses. No curto prazo, temos à vista, o auxílio emergencial que, embora de baixo valor, deverá beneficiar cerca de 40 milhões de pessoas e custará para os cofres da União, R$ 44 bilhões.

Também, para os aposentados na faixa de menor renda, o governo deverá antecipar o l3º salário. Com essas medidas, a equipe econômica objetiva melhorar o nível da atividade econômica, olhando para uma recuperação já próximo no segundo trimestre.

Nossa economia caiu em seu PIB - Produto Interno Bruto, em 2020, conforme dados do IBGE, 4,1%, uma das menores baixas entre as principais economias do mundo.

Nossas travas estão condicionadas pelo baixo nível de consumo de bens e serviços e, principalmente, pela significativa queda dos investimentos das empresas privadas nacionais e pelos investimentos externos, na formação bruta de capital fixo, que foram reduzidos em cerca de US$ 40 bilhões, ou seja, aproximadamente, em R$ 255 bilhões.

Subjacentemente as questões econômicas, nesses meses atual e próximos, a prioridade número um é a saúde do povo brasileiro e, para tal, precisamos de vacinação em massa, urgentemente.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor de economia na Unianchieta e consultor de empresas


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