Opinião

A voz do silêncio

Nesta época do ano, todos os seguidores das pegadas de Jesus celebram


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

"Jamais poderemos avaliar a profundidade de sua passagem entre nós."

Nesta época do ano, todos os seguidores das pegadas de Jesus celebram, cada um dentro de seus princípios cristãos, sua Vida, Morte e Ressurreição.

Há dois mil anos, seus ensinamentos continuam vivos. O Mestre fez das palavras uma força avassaladora, que contagiava a todos que o cercavam.

A palavra se não acompanhada de exemplo de nada serve. Ao dar confiança aos incrédulos, crença nos descrentes, tolerância e compreensão aos fracos de espírito, o divino Mestre sempre se serviu de exemplo.

Provou no silêncio de suas preces que seu reinado era apenas o império dos simples, dos humildes. E que seu mundo não é aqui, mas sim o reino dos céus.

Pregou exaustivamente o amor entre os seres humanos. Mas que amor é este? Como compreendê-lo aos olhos de Jesus?

Tenho para comigo, uma doce lição dos meus tempos estudantis, contada por um experiente professor, religioso, inteligente e didático, que muito me ajudou a tentar entender Seus ensinamentos.

Relatou-nos um pequeno conto, de modo bem doméstico e peculiar que quatro pessoas, três delas cristãs e um ateu, subiram aos céus. No reino de Deus foram recepcionadas por um dos apóstolos de Cristo. Este apóstolo com algumas fichas individuais em sua mão Chamou-os pelo nome, um por um, e começo a relatar o que estava registrado de cada um, em suas vidas terrenas.

Ao primeiro, constava que assistia as missas religiosas, não perdia nenhuma procissão, rezava para seu bem e de toda a sua família, contribuía com a Igreja, acreditava em Deus.

O apostolo mandou-o que aguardasse ao lado. Ao, segundo, constava cantos e louvores a Deus, reuniões e assembleias em nome de Cristo, rezas e preces, pedidos de ajuda e benções a todos os familiares. Tinha a santa Bíblia como guia de Deus.

O apostolo mandou-o também que aguardasse ao lado. Enquanto isso, na expectativa de ser chamado, o ateu, homem descrente de Jesus, se angustiava e se arrependia, amargamente, por não ter acreditado nas coisas espirituais.

Ao terceiro, constava que acreditava na reencarnação, tinha o evangelho como livro de cabeceira, tomava passes espirituais, rezava preces ao Senhor, cuidava de sua família, frequentava sessões espirituais.

O apostolo indicou e mandou-o que aguardasse ao lado. Por fim, chamou a quarta pessoa, o Ateu. O descrente foi logo se desculpando pela sua vida sem Cristo e pedia o perdão e a clemência dos Céus.

Foi quando o apostolo surpreendido pela sua humildade e resignação, retrucou: __ mas em sua ficha consta que foi uma pessoa depreendida de bens materiais, ajudava ao próximo sem nada pedir de recompensa, repartia com os pobres o pão que sobrava em sua mesa, agasalhava com as próprias vestes aos desprotegidos, era uma pessoa simples e generosa, e que jamais se lamuriou da vida. Meu irmão entre no reino dos Céus, porque a ti ele pertence.

A mesma pergunta poderia nos intrigar, por esta época do ano: Mudamos nós ou mudou a Semana Santa?

Diante das tragédias existentes, da violência incontida, do nosso modo de pensar, da nossa maneira de ser, dos incontáveis necessitados, da nossa cegueira espiritual, esquecemos, muitas vezes, o caminho de luz, que nos foi deixado.

Que a morte e ressurreição de Cristo sejam lembradas somente pelo Amor que nos inspirou, ensinou e dedicou.

A Páscoa é uma boa oportunidade de revermos o além da vida, questionar ideologias e mudar atitudes. Mais importante não é a chegada, mas o caminho a ser percorrido, com dedicação e fé na vontade de Jesus.

Como no dizer de Chico Xavier: "Na vida não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e acima de tudo, importa o que fazemos de nós".

Esta pandemia que nos assola, mal que nos atinge com extrema selvageria, não encontra o eco necessário nas camadas mais miseráveis do povo.

A corrupção dos superiores, a reinante insegurança e a excepcionalidade da situação em que a morte nos coloca, encoraja esta gente mais vulnerável aos instintos obscuros e antissociais

Não sabemos onde a morte nos aguarda. Temos de acreditar num mundo melhor. Ouçamos a voz do silencio.

GUARACI ALVARENGA é advogado


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