Opinião

A retomada do crescimento industrial

A produção de bens industrializados materializa o progresso técnico


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ARTISCULISTA VANDERMIR FRANCESCONI JUNIOR
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Historicamente, a indústria de transformação é um setor fundamental na transição de um país de renda média para alta renda. A exceção são nações de pequena população onde a indústria extrativa mineral (minérios e petróleo) pode cumprir papel relevante no crescimento econômico.

Por ser indutora de progresso tecnológico, a indústria de transformação é determinante no crescimento da inovação, da produtividade da economia e, portanto, da expansão da renda do país. O setor é responsável pela geração e difusão de inovações tecnológicas que contribuem para o aumento da produtividade.

A produção de bens industrializados materializa o progresso técnico que é transmitido para todos os demais setores econômicos que utilizam esses produtos. Dessa forma, a indústria gera avanços para o conjunto da economia e contribui para o crescimento da renda da sociedade.

Dentre os maiores setores econômicos, a indústria de transformação é o que mais recompensa com elevação de salários o aumento de escolaridade. Além disso, emprega pessoas com maior grau de formalização, o que implica respeito a direitos sociais e previdenciários.

São Paulo é o estado mais rico do país, com o maior PIB entre as unidades da federação, o segundo PIB per capita do país, graças à indústria de transformação, que se desenvolveu por todo o estado.

Depois da recessão global de 1929, o café deu lugar às indústrias, que fizeram São Paulo permanecer na liderança do setor, no Brasil, até hoje. A indústria de transformação paulista responde por cerca de 35% da produção nacional do setor.

O estado congrega vários polos industriais, como Região Metropolitana de São Paulo, de Campinas, Vale do Paraíba, além das Mesorregiões de Araraquara, Piracicaba e Ribeirão Preto. Cada uma com sua vocação, seja alta tecnologia, agroindústria, automotiva, têxtil, química, entre tantas outras.

Vale destacar a força de Jundiaí neste conjunto. No estado, a cidade possui o 9º maior parque industrial, o 7º maior PIB, o 4º melhor Índice de Desenvolvimento Humano. É um dos melhores municípios brasileiros em termos de desenvolvimento econômico.

Por isso, é preocupante a redução persistente do peso do setor no PIB nos últimos anos, um movimento conhecido como desindustrialização. Em 2020, a participação da indústria de transformação brasileira no PIB foi de apenas 11,3%, ficando abaixo do patamar do início dos anos 1950.

A economia brasileira vem sofrendo com esse fenômeno de forma precoce e com velocidade mais acelerada que os demais países. Isso é reflexo do enorme fardo decorrente do Custo Brasil, que tanto atrapalha o desenvolvimento do país.

Podemos elencar como Custo Brasil: um sistema tributário com elevada carga e extremamente complexo, exigindo muitas horas das empresas no cumprimento dos compromissos tributários; um longo histórico de taxa de câmbio sobrevalorizada e extremamente volátil; uma infraestrutura precária, uma legislação trabalhista arcaica e com enorme insegurança jurídica; e um elevado spread bancário que, apesar da queda da Selic para as mínimas históricas, as taxas dos empréstimos ainda permanecem em níveis proibitivos.

A indústria de transformação anseia por reformas que ataquem os problemas que prejudicam o ambiente de negócios e corroem a competitividade e a produtividade do setor industrial. Equacionar o problema do Custo Brasil é a única solução para reverter esse quadro que gera tanta preocupação e dar uma colaboração relevante para o país retomar a trajetória de prosperidade econômica.

Uma reforma tributária que traga simplificação e isonomia com a competição externa, estímulo ao investimento em infraestrutura, e medidas que reduzam a insegurança jurídica são alguns exemplos de ações que devemos ter como objetivo num futuro breve. A indústria precisa de condições isonômicas para enveredar num processo firme de crescimento e contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do Brasil, com geração de emprego e renda para os brasileiros.

VANDERMIR FRANCESCONI JÚNIOR é primeiro diretor-secretário da Fiesp e do Ciesp


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