Opinião

O lado B da imunidade

Quanto mais diversificada a dieta, mais diversificada será a microbiota


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COLUNISTA LICIANA ROSSI
Crédito: divulgação

Tantos fatores influenciam a imunidade. Os intestinos, nosso segundo cérebro, têm influência direta em nossas emoções, apesar de poderem funcionar quase que sozinhos, sem controle direto do sistema nervoso central, sofrem influência dos sistemas nervosos simpático e parassimpático, intimamente ligados ao estresse, ao reflexo de luta o fuga, quando estamos numa situação de perigo (real ou imaginário), havendo uma diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos vitais, podendo gerar problemas tanto na digestão como na imunidade. Nos intestinos se encontram a maior concentração de neurônios fora do cérebro, responsáveis pelas funções autônomas do sistema digestivo.

Além de ser nosso segundo cérebro e influenciar diretamente as emoções, temos no intestino um conjunto de microrganismos, nossa microbiota. Este conjunto de microrganismos, bactérias, fungos, até vírus do bem, desempenham um papel importante na imunidade, sendo decisivos na manutenção da nossa saúde. Estudos mostraram que infecções respiratórias estão associadas a uma mudança na microbiota intestinal, segundo o médico Dr. Williams Ramos.

Esses microrganismos presentes na microbiota intestinal são tantos que chegam a ser mais numerosos do que o número total de células humanas, eles ajudam na digestão de alguns alimentos, produzem vitaminas e protegem todo o trato gastrointestinal. Um adulto porta cerca de 1 a 2kg de microbiota em seu corpo e há tantas funções que ela poderia ser considera um órgão, devido a sua importância. Todos estes microrganismos habitam além dos intestinos, outras partes do nosso corpo como pele, vias respiratórias, boca e órgãos genitais, exercendo grande influência no equilíbrio do corpo humano.

70% das nossas células imunológicas se encontram no intestino, onde a microbiota é separada por células epiteliais. Agora começamos a perceber que todo o sistema digestivo tem muito mais função que apenas processar comida. 50% das nossas fezes são bactérias e não apenas restos de comida, segundo Megan Rossi, especialista em saúde intestinal da Austrália.

É preciso estar bem emocionalmente para que todo o sistema gastrointestinal funcione bem, para termos um equilíbrio de todo organismo e, se necessário, lutar contra o agente invasor. O sistema digestivo participa do processo de defesa do corpo. E vai além, para que haja um bom combate todas as estruturas corporais devem estar em equilíbrio. Se houver qualquer tipo de inflamação, parte dos soldados de defesa estará atuando em outro combate quando forem chamados para uma luta maior, contra um vírus altamente destrutivo.

Aqui entra a importância de ter uma alimentação equilibrada, uma microbiota saudável, quanto mais diversificada a dieta, mais diversificada será a microbiota. Alimentos probióticos, como chicória, batata yacon, alho e cebola podem ajudar, assim como iogurtes probióticos.

A hidratação é fundamental, já que 70% do nosso corpo é formado por água, olhar para a qualidade da água ingerida, a quantidade, pelo menos 10 copos por dia, e quanto maior seu peso, mais água você deve tomar. Isso facilitará a formação e eliminação das fezes, limpando seu corpo, fazendo você frequentar mais o banheiro. Ter uma boa postura ajuda todo seu corpo a trabalhar sem ser "comprimido", toda a circulação sanguínea, o retorno venoso, haverá um bom equilíbrio entre estrutura e função. Você gastará menos energia, terá menos processos inflamatórios.

O exercício físico estimula não só a imunidade, mas todos os órgãos vitais. Quando eu me movo, estimulo o cólon e o link fascial que aumenta as nossas defesas. Massagear a região abdominal, deslizar os dedos na borda das costelas quando deitados, durante uma expiração lenta e profunda é sensacional. Todos os movimentos inspiratórios que abrem as costelas também são muito importantes para mobilizar o músculo da respiração: o diafragma. Portanto, respire de maneira ampla, abrindo a caixa torácica e massageando a região. Você pode usar seus dedos, uma bolina de tênis.

Não seja um sedentário, isso é uma questão de sobrevivência. Mova-se com frequência, coma bem, durma bem, medite, tenha inteligência emocional. Sua sobrevivência depende disso tudo. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é educadora física, pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva - NASM/USA; Practitioner nível 2 e Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA


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