Opinião

"Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem"

A ganância desmedida nos afasta da verdadeira vontade divina


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COLUNISTAS GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

Jamais poderemos avaliar a profundidade de sua passagem entre nós. Jesus estava disposto ao sacrifício pela humanidade: "Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt. 26:39).

Compartilhamos com a comunidade cristã do mundo todo mais uma Semana Santa, como diziam os antigos a Semana Maior. Todos os seguidores das pegadas de Cristo celebram cada uma, dentro de seus princípios, sua Vida, Morte e Ressurreição.

Há dois mil anos, seus ensinamentos continuam vivos e a eles nos socorremos em busca da vida eterna. Sua decisão que anunciou aos seus seguidores:

"Eis que subimos para Jerusalém e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e escribas. Eles o condenarão a morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas no terceiro dia ressurgirá" (Mt20. 18.19).

Estes são os acontecimentos da Paixão e da Páscoa. Acontecimentos, que embora continuem a serem celebrados, parecem perder o seu significado maior na sua exaltação.

As tendências da vida moderna, ao apelo consumista, a ganância desmedida pelos bens materiais, parecem nos afastar ainda mais da verdadeira vontade divina.

Lembro-me, até saudoso, quando criança, ao abrigo do lar, o imenso respeito que nossas famílias devotavam a estes sagrados dias.

Na sexta-feira, as rádios só tocavam músicas suaves e instrumentais. Os bares e restaurantes fechavam suas portas em respeito absoluto. O comércio não funcionava, nem o armazém de secos e molhados, nem a quitandinha da esquina e o cinema só passava filmes bíblicos.

Estes comentados pratos de bacalhaus, dos dias atuais, era o peixe dos pobres, guardado no velho armário da cozinha, servido tão somente para manter o dia do jejum.

Não se falava em violência. Tenho a impressão que nem a Delegacia de Policia funcionava. O clima era de paz e harmonia.

A maioria dos lares se confraternizava entoando preces aos céus, como forma de agradecimento e gratidão. Esta celebração sempre sucumbia à humildade humana, à dádiva divina, e a esperança de ser acolhido nos reino dos céus.

Antagonizou, entretanto com os tempos modernos, com uma triste visão comercial, que se esmera numa pratica de um cristianismo descompromissado, fazendo sua promoção maior sobre o chocolate, as iguarias e os prazeres de um feriado prolongado.

Os caminhos não se cruzam. Antes de atender aos ensinamentos de Jesus, precisamos atender nossas necessidades materiais. O nosso grande escritor Machado de Assis, em conto sobre o comércio concentrado em vendas no Natal, teria se perguntado: Mudei eu ou mudou a Natal?

A mesma pergunta poderia nos intrigar, por esta época do ano: Mudamos nós ou mudou a Semana Santa?

Diante das tragédias existentes, da violência incontida, do perturbador modo de pensar, da intocável maneira de ser, da cegueira espiritual, perde-se, muitas vezes, o rumo do destino a trilhar e se desvia do caminho de luz, que Jesus nos deixou.

Este ano atípico, com a pandemia em extrema selvageria, enfermidade que nos pune e martiriza, temos rogado a Jesus, seu amparo e proteção. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna.

Que a morte e ressurreição de Cristo sejam lembradas somente pelo Amor que nos inspirou, ensinou e dedicou, e jamais pelas imperfeições do mundo, criadas por homens.

A Páscoa é uma boa oportunidade de revermos o além da vida, questionar ideologias e mudar atitudes. O importante não é a chegada, mas o caminho a ser percorrido, com dedicação e fé na vontade de Jesus.

Como no dizer do espírita Chico Xavier: "Na vida não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e acima de tudo, importa o que fazemos de nós".

Servir a Jesus e servir aos pobres. Fique com o Poder de Jesus.

GUARACI ALVARENGA é advogado


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