Opinião

Desafios da formação profissional

Os alunos definem sua própria trilha de aprendizagem


Picasa
ARTISCULISTA VANDERMIR FRANCESCONI JUNIOR
Crédito: Picasa

Está em curso uma profunda transformação digital no mundo proporcionada pela Quarta Revolução Industrial. A pandemia acelerou ainda mais este processo com a intensificação do trabalho remoto e a necessidade de manter os negócios funcionando com distanciamento social. Mesmo antes da covid-19 impactar os processos produtivos e revelar a necessidade de novas habilidades profissionais, porém, alguns estudos já previam o surgimento de pelo menos 30 novas profissões nos próximos cinco anos relacionadas à Quarta Revolução Industrial, como engenheiro de cibersegurança, técnico em automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D, por exemplo.

Neste cenário, com ciclos de vida de tecnologias cada vez mais rápidos, é fundamental que a educação profissional acompanhe essas mudanças para fornecer mão de obra qualificada. Assim, requalificar os trabalhadores torna-se urgente em curto espaço de tempo, como foi expresso no Relatório "O Futuro dos Empregos - Relatório 2020", do World Economic Forum (WEF).

Atualmente, vem ganhando importância o conceito de life long learning, ou "aprendizado durante toda a vida", em tradução livre. Neste sentido, o maior reconhecimento da formação técnica profissional, bem como a atualização contínua dos currículos, são passos importantes para que a sociedade entenda a necessidade de se aperfeiçoar e de se atualizar constantemente.

Da mesma forma, também serão cada vez mais comuns as microcertificações, ou badges, em que os alunos definem sua própria trilha de aprendizagem, realizando diversos cursos curtos que se complementam e, uma vez agrupados, garantem qualificação reconhecida no mercado de trabalho.

Com este modelo, atesta-se o domínio de habilidades específicas, diferenciando pessoas por níveis de competências, permitindo uma customização e uma flexibilidade maior em relação ao tempo de formação. Outra tendência é a adoção de modelos híbridos de aprendizagem - que ganhou impulso na pandemia - com um mix entre aulas presenciais e a distância.

Segundo o relatório do WEF 2020, 84% dos empregadores estão prontos para digitalizar rapidamente seus processos, com expansão significativa do trabalho remoto. Nesse contexto, a necessidade de uma infraestrutura de conectividade é essencial. A chegada da tecnologia 5G vai proporcionar um ambiente de aprendizagem e interação, milhares de vezes mais rápido, e imersão com telepresença. Esta tecnologia deverá ser um espelho do novo chão de fábrica, mais integrado e flexível.

Além das habilidades técnicas, na hora de recrutar um trabalhador, a indústria valoriza ainda as competências relativas ao comportamento humano, como relacionamento interpessoal, trabalho colaborativo, resolução de problemas complexos e inteligência emocional. São capacidades socioemocionais fundamentais para o desempenho de qualquer função e de extrema importância para o crescimento profissional. Ter espírito empreendedor, entender o que é uma startup e os conceitos deste segmento, e desenvolver habilidades relacionadas a este universo também contam pontos.

Os cursos do Senai-SP são concebidos para permitir o desenvolvimento de todas essas habilidades, além da formação técnica. Há um grande esforço na entidade para a aplicação massiva de recursos para a transformação digital, assim como investimento na qualificação dos professores e na criação/atualização de itinerários formativos para atender as exigências do mundo de hoje. Sustentabilidade do planeta e tecnologias habilitadoras da indústria 4.0 são exemplos de temas que são tratados de forma transversal nos cursos disponíveis.

O Senai-SP trabalha incessantemente para se manter atualizado e alinhado às necessidades da indústria, realizando projeções e previsões das qualificações necessárias para a mão de obra futura. Por meio de suas 92 escolas fixas e 78 móveis (atendendo quase 1 milhão de matrículas todos os anos), forma profissionais para 28 áreas da indústria brasileira, da iniciação profissional a pós-graduação tecnológica. É preciso multiplicar este modelo de ensino profissional - dinâmico, atualizado e sintonizado com o mercado - para enfrentarmos os desafios da Quarta Revolução Industrial.

VANDERMIR FRANCESCONI JÚNIOR é primeiro diretor-secretário da Fiesp e do Ciesp


Notícias relevantes: