Opinião

O imponderável, o intolerável e o absoluto

Como ver a criança morrendo diante dos olhos e não se arrepender?


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PASTOR DANIEL
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Fomos chocados nestes últimos dias com a revelação de um crime brutal, bárbaro cometido contra uma criança de apenas quatro anos.

Completamente atônito li e assisti a algumas das matérias referentes ao caso. Como pai de duas crianças me comovi e lamentei demais pela vida do garoto Henry. Pensar na agonia desta criança que era torturada e amedrontada diariamente é perturbador.

A degradação da sociedade, com a quebra de valores e princípios há tanto tempo estabelecidos, nos traz à tona estas situações revelando uma doença agressiva, progressiva e corrosiva chamada falta de amor.

É imponderável o fato de alguém em seu juízo perfeito atacar uma criança de quatro anos, seja por qual for a justificativa. É imponderável não conseguir ter um sentimento de amor mínimo por uma criança linda, indefesa, ingênua, dependente e pura. Também é impossível de imaginar uma mãe que ao saber destes absurdos se omita por pura conveniência.

Como ver a criança morrendo diante dos olhos e não se arrepender, mas pelo contrário, tentar esconder os fatos e a mãe ainda se preocupar em retocar o esmalte das mãos após o sepultamento do filho? Parece o roteiro de um filme maligno, inescrupuloso e de puro mau gosto, mas infelizmente não é ficção, foi tudo real. Foi real e debaixo do nosso nariz, ao lado das nossas casas e digo isso como sociedade.

Elegemos (como sociedade) este crápula para a vereança, para nos representar e pergunto será que de fato não nos representa? Será que não somos igualmente inescrupulosos, egoístas, oportunistas, baixos, vingativos, sem caráter e tantas outras desqualificações que poderiam nos equiparar a este assassino? Será que a corrosividade da falta de amor não consumiu toda a bondade, tolerância, paciência, amabilidade que em nós um dia houve? Quantas "crianças" têm sido "espancadas" por nós através do egoísmo, da negligência e do orgulho?

É intolerável permanecermos assim, assim como é intolerável esta brutalidade ocorrida com essa criança. É intolerável continuarmos a ver o sofrimento alheio e não agirmos, não ajudarmos ou não nos importarmos.

Infelizmente esse assassino representa o que é a humanidade nos dias atuais bem como nos alertou o apóstolo Paulo "Sabe, porém, isto, que nos últimos dias virão tempos difíceis; pois os homens serão amantes de si mesmos, avarentos, pretensiosos, soberbos, maldizentes, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, insolentes, presunçosos, amando mais os prazeres do que a Deus, tendo a aparência de piedade, porém negando o poder dela. Foge também destes homens."

Precisamos voltar ao que é absoluto, que deu e dá certo e que nunca muda: sim o amor, o amor verdadeiro. Não o amor como é apresentado hoje, um amor politizado, interesseiro, egoísta, hipócrita, hedonista, oportunista, infiel, indigno, odioso, vaidoso e tantas outras formas travestidas de amor, e que nada mais são do que a maldade do coração dos homens. Digo do amor verdadeiro, aquele que é altruísta, sacrificial, generoso, paciente, humilde, alegre, que abomina a maldade e que ama a justiça. Um amor que coloca os outros em primeiro lugar, que não se corrompe e nem se vende, mas que oferece e distribui. O amor que nos enche de realização, esperança, que nos faz crer no nosso semelhante, um amor que vai muito além do nosso conhecimento ou entendimento e, que mesmo sendo racional e intencional não pode ser explicado, mas apenas vivido.

Um Amor que se define como mais uma vez o apóstolo Paulo nos ensina: "O amor é paciente e bondoso. O amor não é ciumento, nem presunçoso. Não é orgulhoso, nem grosseiro. Não exige que as coisas sejam à sua maneira. Não é irritável, nem rancoroso. Não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme". Nunca ouvi falar, vi ou li sobre qualquer sociedade que assim tendo vivido, tenha sido infeliz. O problema é que achamos ser utopia viver isso, mas só será utopia se eu e você não estivermos dispostos a viver assim.

Até quando deixaremos de viver pelo amor?

Pastor DANIEL ANTONIO é teólogo, administrador e publicitário, MBA Coaching e Mentoring, MBA em Gestão de Negócios, palestrante do Jesus Coaching e do canal Falando sobre Deus; [email protected] e instagram: @prdanielantonio


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