Opinião

Setor produtivo precisa de novo fôlego

Em 2020, os programas de crédito resultaram em desembolso de R$ 140 bi


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ARTISCULISTA VANDERMIR FRANCESCONI JUNIOR
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A eclosão da pandemia no ano passado impactou fortemente a economia mundial. Todos os países sentiram os efeitos das medidas restritivas, como suspensão de atividades econômicas e distanciamento social, para conter a expansão da contaminação. O Brasil vinha numa trajetória ascendente de crescimento que foi interrompida em março de 2020. No momento mais agudo da crise, o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a prever uma queda de 8% para o PIB brasileiro no ano, enquanto o Banco Mundial uma redução de 9,1%. O resultado foi uma recessão de 4,1%, bem menor do que essas estimativas.

Isso aconteceu porque a retomada da atividade econômica ocorreu com mais velocidade do que antecipado, com a produção industrial e as vendas do varejo superando o nível pré-pandemia (fevereiro 2020) de maneira muito rápida. O vigor da reação da economia deve-se a importantes ações do governo federal, como flexibilização das leis trabalhistas, concessão de crédito e postergação do pagamento de impostos - bandeiras defendidas pela Fiesp e pelo Ciesp -, além do pagamento do auxílio emergencial.

Com o recrudescimento da covid-19, é fundamental que esta mesma receita bem-sucedida seja adotada novamente e rápido. Um dos quatro pilares, o auxílio emergencial, já está de pé. Desde o início do mês, o governo retomou o pagamento do auxílio para os mais vulneráveis. O valor médio é de R$ 250, abaixo dos R$ 600 pagos no ano passado, mas não há dúvidas de que será importante ajuda para quem ficou sem renda neste período. Representará ainda uma injeção de R$ 44 bilhões na economia, durante quatro meses.

Para dar fôlego ao setor produtivo, porém, é urgente que os outros três pilares saiam do papel, uma vez que há sinais de que a recuperação pode demorar. Por conta das novas restrições, a atividade econômica deve ter um desempenho mais fraco no 1º trimestre, com risco elevado desse quadro se estender também para o 2º trimestre. As expectativas para o crescimento do PIB vêm caindo, estão próximas de 3%, e não compensam a queda de 4,1% no ano passado.

Outros números relevantes: a indústria de transformação teve fraco desempenho em janeiro ( 0,1%) e fevereiro (-0,2%) e deve cair em março - a produção de veículos, por exemplo, recuou 12,2% frente a fevereiro; pesquisa da Fiesp detectou que indústrias do estado de São Paulo reviram suas perspectivas para 2021 de forma negativa; o número de desempregados está elevado, são 14,3 milhões de pessoas que procuram emprego.

Os dados dos programas crédito, postergação do pagamento de impostos e flexibilização das leis trabalhistas adotados no ano passado mostram como foram importantes para mitigar os efeitos negativos da pandemia na economia.

Em 2020, os programas de crédito do governo federal resultaram em um desembolso de cerca de R$ 140 bilhões em várias linhas, como Giro Emergencial do BNDES e Pronampe (para micro e pequenas empresas). Vale ressaltar que, desde o início, diante da paralisia do mercado de crédito, Fiesp e Ciesp propuseram que o governo assumisse o risco das operações. Assim, o crédito poderia fluir e dar fôlego às companhias na fase crítica da pandemia, garantindo a sobrevivência das empresas e sua capacidade de gerar empregos.

Da mesma forma, foi muito importante adiar o recolhimento de impostos e contribuições federais, como FGTS, contribuição previdenciária patronal, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), PIS,Cofins etc. O governo estadual, por outro lado, além de não dar qualquer auxílio ao setor produtivo, ainda promoveu um absurdo aumento do ICMS contra o qual estamos lutando na Justiça.

Por fim, foi muito bem-sucedido o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permitiu a suspensão do contrato de trabalho, ou redução proporcional de salário e jornada de trabalho, com complementação parcial dos salários pelo governo federal. Quase 10 milhões de trabalhadores participaram. Ou seja, milhões de empregos foram preservados num momento de baixa receita para as empresas.

O setor produtivo precisa de nova injeção de oxigênio já. Não há mais tempo a perder, empresas e empregos estão sob risco.

VANDERMIR FRANCESCONI JÚNIOR é primeiro diretor-secretário da Fiesp e do Ciesp


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