Opinião

De hoje em diante...

Recordações inesquecíveis dos chamados anos dourados


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MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE (NOVA)
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Na semana passada, aniversário do cantor Roberto Carlos, meu irmão escreveu um artigo, que repercutiu, com o título: "O primeiro Roberto a gente nunca esquece". Comentou sobre o show do cantor em Jundiaí, em 1966, no Polytheama. Meu pai comprou o ingresso e minha mãe costurou uma camisa de listras finas e pregou botõezinhos com o desenho do calhambeque. Acrescentou um anel brucutu, feito com uma peça de metal que protegia a saída de água para lavar o para-brisa do fusca. Tempo da Jovem Guarda.

Compartilhei em meu Facebook e os comentários foram inúmeros a respeito de lembranças bonitas. Mencionaram vivências próprias em outros shows na cidade, como na Festa da Uva e na Esportiva. Na Esportiva, eu também me encontrava. Uma das pessoas contou que seu contato com o cantor foi na escola "Liceu Munis Freire" em Cachoeiro de Itapemirim - ES. Estudaram juntos.

Um parênteses porque amo esta música: "...Recordo a casa onde eu morava/ O muro alto, o laranjal/ Meu flambuaiã na primavera/ Que bonito que ele era/ Dando sombra no quintal. /A minha escola, a minha rua/ Os meus primeiros madrigais/ Ai como o pensamento voa/ Ao lembrar a terra boa/ Coisas que não voltam mais! /Meu pequeno Cachoeiro/ Vivo só pensando em ti/ Ai que saudade dessas terras/ Entre as serras/Doce terra onde eu nasci!"

Houve quem o viu passando de carro. Segundo diversas pessoas: recordações inesquecíveis dos chamados anos dourados. A Pérola Maria Dolce destacou que, na organização do show, estava o seu afilhado radialista Reinaldo Basile. O Dr. Luiz Carlos Branco salientou que, na época, era militar e foi designado para ficar no camarim. Juntos, com Roberto, Jerry Adriane e Vanderléa. A Rosa Castarde e a Cristina Nasser Zanni, que seguem o Rei, se emocionaram e a Miralice Moreira também, dizendo que voltou nas décadas.

Uma de minhas amigas, lá do Jardim Novo Horizonte, contou a sua história, bem diferente, com as apresentações do ídolo da Jovem Guarda. Fugiu de casa, aos 14 anos, para assistir ao Rei na Record. Residia em Guariba, interior de São Paulo, a 337 km. Sozinha e de carona, nada temia. Rezava: "Pai, não me deixe sozinha". O retorno do mesmo jeito. Ao chegar em casa, apanhou. Escondida da mãe, em seguida, escreveu na parede da casa: "De hoje em diante vou modificar o meu modo de vida..." A mãe se alegrou, concluindo que mudaria sua maneira de ser e jamais voltaria a fugir, até que descobriu que eram versos da canção: "Só vou gostar de quem gosta de mim". Apanhou outra vez.

Suas músicas preferidas eram "O Calhambeque" e "Mexerico da Candinha", até porque, adolescente rebelde, fora vítima, inúmeras vezes, de fofoca: "...A Candinha vive a falar de mim em tudo... /E eu não vou ligar pra mexerico de ninguém."

Depois de um período, adolescente ainda, concluiu que não poderia mais ficar na "beira do caminho" e se casou. Faltava, naquela época, a Lei Maria da Penha. Na delegacia, após relatar a violência sofrida, ouviu do delegado que mulher precisava respeitar o marido em qualquer situação. Separaram-se e passou a cantar: "Quero que vá tudo pro inferno". Uma figura ela e demais querida. Encerrou a conversa com outra música: "Detalhes de uma vida/ Histórias que eu contei aqui (...) /Eu sei já sofri/ Mas não deixo de amar. (...)/ Se chorei ou se sorri/ O importante é que emoções eu vivi. / (...) São momentos que eu não esqueci..."

Faz bem essa memória musical. Passa pelo coração e desperta sentimentos. Lembrei-me de uma integrante da Pastoral da Mulher/ Magdala, já na Eternidade, das doçuras nos bolos, da meiguice que encantava. Ao passar por lá, gostava de interpretar para mim a canção country de Curly Putman (1930-2016),do álbum "Green, Green Grass of Home" que lhe trazia sua Minas Gerais: "Se algum dia/ À minha terra eu voltar/ Quero encontrar/ As mesmas coisas que deixei/ Quando o trem parar na estação/ Eu sentirei no coração/ A alegria de chegar/ De rever a terra em que nasci/ E correr como criança/ Nos verdes campos do lugar..."

"Detalhes de uma vida / Histórias que eu contei aqui..."

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista


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