Opinião

Bons tempos em que havia cinturão verde

Com as recentes aprovações, serão km² de áreas verdes loteadas


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

Nada mais devastador para o ambiente global do que Ricardo Salles representa. A contaminação em escala nacional do seu modelo devastador que desdobrou por todo o território um modus de ação que torna normal o que era ilegal. Com consequências internacionais péssimas para o Brasil.

Isso tem consequências na gestão do meio ambiente e consolida de maneira impertinente o jeito de permitir quase tudo. Com as recentes aprovações liberadas durante a pandemia, serão km² de áreas verdes loteadas. E com a vergonha estadual de um órgão de licenciamento ambiental que liberou quatro mil licenças sem vistoria! Uma vergonha e um grande fracasso governamental! O estado de São Paulo, que devia dar o exemplo, coloca em risco a credibilidade de sua maior agência ambiental. Grandes extensões de ocupação por empreendimentos que estão em lançamento aqui seguramente podem vir a contribuir para a involução da vida na cidade. Além de uma paisagem construída sem desenho, sem arquitetura e conforme as regras do V.G.V (valor geral de venda) que impactam na conta ambiental.

O cinturão verde que envolve a cidade está sendo extensamente ocupado e frequentemente com prejuízos imensos das áreas consolidadas das matas onde são implantados. O próprio JJ mostrou que quintuplicou o número de animais silvestres resgatados em área urbana, porque a zona de amortecimento da vida animal está corrompida com a presença de extensos condomínios.

Mesmo que tenham cumprido o compromisso ambiental através das compensações pela remoção com o plantio de inúmeros indivíduos arbóreos essa regra, que é oportuna e boa, não vai superar o tempo que já levou na formação das áreas originais de mata, em recortes, ou em contínuas manchas como é desejável. Para a natureza se recompor, é preciso 30 anos para iniciarem o papel que terão no ambiente.

Em Jundiaí, são solicitadas a remoção de 25 árvores das ruas por dia. Novamente sobre a derrubada de árvores das calçadas, quem caminha por elas percebe que sombras são boas e necessárias, mas lapsos nas sequências são notáveis, deixam marcas da remoção no chão. Raramente o replantio acontece. A medida das falhas nos plantios está datada na placa de inauguração do trecho da av. Nove de Julho próximo da rodoviária; ao lado da placa, as árvores estão lá, hoje mais parecem bonsais, árvores encruadas sem o desenvolvimento esperado. Depois dos 30 anos ainda não chegaram ao porte que se espera.

Isso é um alerta documentado de procedimentos de plantio de árvores na área urbana que precisa de controle e qualidade técnica. E principalmente na continuidade do acompanhamento de seu crescimento. O que se sabe que uma das razões do insucesso desses plantios tem falha na proteção dos caules, quando a grama é podada a lâmina ou o fio da máquina inevitavelmente vai bater e danificar o tronco em desenvolvimento desprotegido. Isso pode colocar todo o esforço a perder. A outra consideração é o tutor, a guia de apoio e proteção da planta, esse sempre é de bambu quando apodrece acaba tombando junto com a planta onde está amarrado. Se a árvore sobreviver, ficará torta. De qualquer maneira, o que se observa é que o plantio em área de calçadas é muito menor que o sucesso das remoções.

Se olharmos no Google, por exemplo, o bairro da Vila Progresso do alto vamos perceber como ali foram suprimidas árvores das ruas, não tem mais, na área do Centro... já nem tem lugar para repor mais nada. Panorama complicado de entendermos das áreas que poderiam estar mais arborizadas e dos empreendimentos em área onde a compensação ambiental está longe da área da mata ou das árvores que foram removidas.

Como será amanhã se hoje tudo está dentro da lei? E a devastação será mais facilitada pelo exemplo dessa vergonha das ações do sr. ministro do Meio Ambiente do Brasil em seus exemplos nas falas na gestão e nos resultados de sua responsabilidade.

EDUARDO CARLOS PEREIRA
é arquiteto e urbanista


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