Opinião

Número 2

A constipação intestinal atinge mais de 20% da população


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COLUNISTA LICIANA ROSSI
Crédito: divulgação

Falar do número 2 não é tão simples, há um certo tabu ao redor do assunto. Culturalmente, se evitava falar do cocô e isso gerou problemas como a constipação, o intestino preso, pois as fezes eram vistas como algo feio e sujo. Muitos sofrem com a constipação por não se sentirem à vontade ao usar o banheiro junto com seu companheiro/a, numa viagem a dois ou mesmo no trabalho ou na casa de um amigo. Isso é muito comum.

Parece que sentimos vergonha de evacuar, porém é muito saudável e indica saúde, uma verdadeira limpeza interna, significa que estamos colocando o lixo para fora. Mas deixar passar a vontade de ir ao banheiro não é bom, e se fizermos isso com frequência, perderemos um elemento muito importante para um bom funcionamento intestinal, o reflexo gastrocólico, um estimulo nervoso e hormonal que nosso estômago envia aos intestinos após uma refeição, sinalizando que é hora de evacuar. Os bebês fazem cocô após mamarem, vários outros mamíferos também. E eles não sentem vergonha disso. Portanto, se der vontade, não segure, esteja onde estiver, vá ao banheiro e faça sua parte.

A constipação intestinal atinge mais de 20% da população, sendo mais comum em mulheres e idosos. Isso pode causar irritação e as toxinas que ficam retidas no corpo podem ser absorvidas e isso faz mal à saúde.

Agora uma pergunta fundamental: como estão as suas fezes? Você tem o costume de olhar para elas e avaliá-las? Pois deveria.

É preciso saber olhar a nossa saúde através delas, que são indicadores diários e que podem ajudar-nos a prevenir várias doenças. O Bristol Stool Chart é uma classificação utilizada por profissionais da saúde para avaliar as fezes, e foi dividida em sete grupos, podendo nos guiar, a ajudar neste olhar diário para nosso cocô. São eles:

Tipo 1: Boletas duras como nozes, que saem após muito esforço, podem indicar intestino preso por falta de consumo de água e fibras.

Tipo 2: Alongado e irregular, como caroços, pode ser o início de constipação e a hidratação pode melhorar.

Tipo 3: Comprido e com rachaduras no exterior é praticamente saudável.

Tipo 4: Forma de salsicha ou cobra e desliza fácil ao sair indica que tudo está perfeito!

Tipo 5: Mole e irregular não são ruins, mas é bom que não persistam por muitas evacuações.

Tipo 6: Mole com algumas partes líquidas podem o início de uma diarreia ou dieta muito gordurosa.

Tipo 7: Totalmente líquido indica que a alimentação está bagunçada. Hidrate-se e procure orientação médica se permanecer por muitos dias.

Ensinar as crianças a avaliar o cocô é também essencial. Mostrar figuras ilustrativas de cocôs saudáveis é bem educativo e divertido, e se algo não estiver bem, eles podem te chamar para que você avalie melhor. Quebrar o tabu antigo e ensinar saúde é fundamental em qualquer idade.

Agora vou lhes ensinar de uma maneira bem fácil a checar suas fezes diariamente e sugiro que vocês ensinem os seus filhos também: avalie se o cocô está bem formado, com contorno bem definido; se ele sai facilmente, sem esforços demasiados (o que pode causar hemorroidas, por exemplo); se a cor predominante é marrom (a ideal); se o odor não é forte demais (o que pode lhe dar dicas sobre sua alimentação) e se ele boia ou afunda (o ideal é afundar). Se houver sangue nas fezes, procure um médico. Isso tudo lhe dará indícios importantes para você refletir e mudar algo se necessário.

Outra dica muito legal é em relação à postura no vaso sanitário. Elevar os joelhos um pouco acima do quadril, imitando a posição de cócoras que nossos antepassados utilizavam permite o relaxamento de um músculo, o puborretal, facilitando e liberando a passagem das fezes, ótimo para quem sofre nessa hora. Colocar um apoio nos pés, como um banquinho, da altura de uma caixa de sapatos, ajuda demais. Hoje em dia há no mercado esse tipo de banquinho que se encaixa perfeitamente ao vaso, ideal não só para adultos, mas para as crianças.

O controle das emoções, a boa alimentação, a hidratação, atividade física e a postura no vaso sanitário podem deixar seu momento ideal, mas não se esqueça de olhar e avaliar suas fezes antes de dar a descarga. Olhar para o n° 2 é olhar para sua saúde. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva - NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA


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