Opinião

Reinaldo Azambuja Storani

Ingressou de forma brilhante na carreira diplomática


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Meu domingo transcorria normalmente, até que Chico Dal Santo, querido amigo que hoje mora em Lisboa, me avisa que Reinaldo Storani falecera. Não acreditei! Para mim, Reinaldo continuava a ser aquele menino, caçula de Odete e Joaquim Storani, casal cujo convívio foi para mim um privilégio e um aprendizado.

Eles tiveram sete filhos: Benedito Storani Neto, o "Tuca", o primogênito que estudou Medicina em Sorocaba e prenunciava um porvir promissor, mas que veio a ser arrebatado pela morte ainda jovem. Maria Lúcia, a "Chuca", dinâmica e criativa, excelente tenista, empreendedora e atuante na sociedade jundiaiense, onde promoveu eventos marcantes, como o "Bal de Tête" no antigo Balaio. Ana Estela, Maria Tereza, Maria Zélia, o Joaquim Filho, "Quinzinho" e o caçula Reinaldo.

Onze anos mais novo do que eu, imaginem: quando eu estava com dezessete, no estágio em que comecei a conviver com a família, ele estava com seis anos. Cheguei a carregá-lo no colo. Era o xodó de todos, principalmente das irmãs, que nele tinham o boneco vivo com quem brincar e aprender a lidar com as crianças que no futuro teriam.

D. Odete foi uma fabulosa mãe. Seus filhos mereceram educação primorosa. Ao lado da segurança propiciada por "Seu" Joaquim, ela cuidava de uma prole extremamente prendada. Todos sabiam fazer tudo em termos de economia doméstica. Bons administradores do lar. Prontos para conviver em sociedade. Herdeiros de uma tradição familiar muito sólida.

Tão sólida que a terrível realidade de pais terem de enterrar um filho, com a partida do Tuca, não desmoronou o núcleo familiar. A vida continuou naquele abençoado lar. E Reinaldo cresceu acarinhado por todos.

Quando ele se mostrou estudante modelar, era edificante assistir ao orgulho de seus pais e irmãos. Ingressou de forma brilhante na carreira diplomática. Conseguiu ultrapassar a barreira dos rigorosíssimos exames do Itamaraty, incubadora das mais esplêndidas carreiras, reconhecidas como a elite do serviço estatal brasileiro.

Tive oportunidade de acompanhar de perto a evolução de sua brilhante caminhada no Ministério das Relações Exteriores. Tive em mãos a sua tese de doutorado, alentada pesquisa e notável contribuição pessoal para aprimorar orçamento e questões financeiras do maior interesse para o Brasil.

Fui honrado quando me convidou para ser seu padrinho de casamento. Nunca nos distanciamos, porque a afeição era sólida. Criou raízes. Acompanhei as vicissitudes familiares. A morte dos pais - Joaquim e Odette - e a partida tão precoce da Maria Lúcia, a querida Chuca, minha maior amiga dentre eles.

A cada passo de Reinaldo no Itamaraty, sentia-me orgulhoso também. Afinal, vira o seu empenho, o seu idealismo, o seu entusiasmo. Todas as vezes em que tive oportunidade de conversar com embaixadores, durante minhas viagens com a comitiva do ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, falava de Reinaldo Storani e todos faziam as melhores referências sobre ele. Cheguei a comentar com o primo de meu sogro, Luiz Felipe Lampreia, assim como com o saudoso Hugo Gouthier, e ambos asseveravam que Reinaldo era um dos mais qualificados quadros de nossa diplomacia.

É incrível que aquele "menino" tenha falecido em 2 de maio de 2021, já com quatro décadas de devotamento ao Brasil. Ingressou no serviço exterior exatamente em 1981. Atuou nos Estados Unidos, Paraguai, Irã, Itália e Bélgica, foi Chefe do Escritório Financeiro do Itamaraty em Nova Iorque, de 2015 a 2018 e Cônsul-Geral no Faro, em Portugal, desde dezembro de 2018 até domingo.

Conhecia profundamente a estrutura administrativa do Ministério das Relações Exteriores e poderia permanecer na ativa por mais onze anos, eis que a compulsória só ocorre hoje aos 75 anos.

Como interpretar os insondáveis desígnios da Providência? Reinaldo Azambuja Storani ainda tinha muito a oferecer. Sempre acreditei que pudesse fruir de sua merecida aposentadoria na linda casa do Japy, cenário de tantos belos encontros.

Sei que D.Odette, Seu Joaquim, Tuca e Chuca o receberão afetuosamente. Mas os que ficam, estamos todos muito tristes. Reinaldo Azambuja Storani, um dos legítimos orgulhos de Jundiaí: amamos você.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras -2021- 2022


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