Opinião

Mundo da Criança, de ilusão e experiência

Criança precisa conhecer história, ciência, arte e meio ambiente


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

O Mundo da Criança é uma grande obra que marca a gestão de Luiz Fernando Machado, com um projeto bonito e grandioso, que será o grande atrativo como programa das famílias para depois da pandemia. Um renascimento do lazer para as crianças, um presente novinho em folha pra explorar, aprender e, sobretudo, interagir. É preciso situar o parque que tem suas portas abertas, nas fases amarelas, no final da rua Tiradentes e integra com o Parque da Cidade o maior complexo de lazer que conhecemos na região. Infelizmente, mesmo com a abertura, tudo isso pode ser apreciado, mas ainda não pode ser usado.

O que se vê são objetos e arquiteturas instigantes que pedem a participação da criançada e desafia para que experimentem uma nova sensação ao usar as cordas, os tubos, entrar na água que sai em fontes do piso, que escale paredes e usem as quadras e pista de skate que deve ser a melhor da cidade.

Tudo isso teve início na complexa mistura de ideias da fundação holandesa que ofereceu e know-how para os educadores e programas para planejamento e arquitetura com o departamento de arquitetos da gestão de projetos da prefeitura e DAE.

Os parques temáticos que conhecemos são invariavelmente clichês diminutivos de desenhos ao gosto da criança, com personagens de quadrinhos ou personagens das histórias infantis. Isso não acontece nesse nosso parque, que estimula o encontro, a interação das crianças para a prática de esportes e lazer. São exercícios muito mais livres do que os regrados por máquinas ou brinquedos mecânicos; diferente também dos brinquedos das praças como os conhecemos. Vai além desses parquinhos e tem nisso mérito e êxito.

Projeto de arquitetura arrojado, com a escala correta, considera sempre a altura da criança e o olhar a partir de 95cm (sua altura), todos os brinquedos e espaços acessíveis e com forte apelo para ser apropriado. Com relação à natureza que a educação ambiental possibilitaria naquele meio, não vi muito para aprender e identificar, sinto falta das matas e da mata atlântica para formar um adulto mais exigente e consciente de seu papel na sociedade com respeito ao meio ambiente. Isso certamente será feito, mas infelizmente com imagens e não acho possível fazer in loco e real.

Com relação à estética e à arte para a criança será muito frutífero se os programas da cultura abrangessem mais os clientes via internet e televisão. Instigando-os a fazerem trabalhos em papel ou outros materiais associando ao que pretende o gestor implementar no Mundo da Criança. Exemplo disso é o que o Museu de Arte de São Paulo faz, em todas as semanas, quando coloca uma obra do seu acervo para que as pessoas possam enviar interpretações em desenhos, pinturas ou outros meios. Coincidentemente essa semana é uma aquarela de Lina Bardi que tem no vão do Masp um parque infantil belíssimo representando ali, como pode ser um brinquedo público para ser usado e apreciado. Essas aliás com forte apelo e baseado nas tradições populares brasileiras de cores e festas populares.

Criança precisa ter a oportunidade de conhecer história, ciência, arte e meio ambiente. Solicitei informações na área de comunicação e na de gestão do meio ambiente para dar os créditos corretos sobre o projeto e a obra sobre a equipe de arquitetos e educadores, a construtora, os suportes técnicos e de educação, não tive resposta até agora.

Além do Mundo das Crianças, diferentes Complexos Esportivos de Jundiaí receberão crianças da rede municipal, em um total de 31 escolas. Unidades que contam com espaços abertos e arborizados. Esse montante de investimentos de tempo e espaço para a criança é um avanço para seu desenvolvimento como cidadãs sociais, porém, podemos ver, ao longo da nossa cidade, que temos diversos outros mecanismos que estão desanuviados, ou seja, por mais que tragam bem para a cultura local, não são tão bem aproveitados quanto conseguem.

Por outro lado, vemos o Projeto da Dra. Maria Diva Tadey Vasconcellos, que traz para a cidade como primeiro município do estado a integrar o conceito "Cidade das Crianças", que abrange o "comitê das crianças", onde implementa-se um programa de política pública que dá protagonismo às crianças em discussões. Outro programa interessante desse conceito é o "Ruas de Brincar".

Lembramos ainda que o cuidado com a educação, cultura e bem-estar das crianças passa pelo fortalecimento de toda a rede de apoio que, para ser justo, nem sempre está de acordo com a beleza e estatura do Mundo da Criança. Por uma cidade onde as crianças não sejam mais violentadas, nem deixadas à míngua no atendimento social.

EDUARDO CARLOS PEREIRA

é arquiteto e urbanista


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