Opinião

O ciclo de investimento de uma startup

Existem quatro etapas no processo de investimento de uma startup


ARQUIVO PESSOAL
CAIO NUNCIARONI
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Com uma economia em processo de recuperação, o Brasil observou um grande crescimento no número de startups nos últimos anos, refletindo justamente a valorização do setor de inovação e de iniciativas empreendedoras.

Como essencialmente importamos um modelo americano de investimento em empresas, várias terminologias estrangeiras começaram a aparecer no cotidiano dos novos empreendedores brasileiros. Seed capital, Venture Capital, Private Equity. O que significa tudo isso?

O objetivo deste texto é explicar o funcionamento deste modelo (ou ciclo) de investimento de forma simples e objetiva, permitindo uma melhor compreensão deste ciclo pela nova geração de jovens empreendedores brasileiros que sonham em ter sua própria startup.

Primeiramente, temos que considerar que existem quatro etapas no processo de investimento de uma startup: (i) a fase de desenvolvimento ou implementação (também conhecida como New Venture); (ii) a fase de estruturação (onde há a o crescimento da empresa); e (iii) a fase de consolidação ou profissionalização (onde a empresa se prepara para a abertura de seu capital); e (iv) a abertura de capital propriamente dita.

Na fase de New Venture é quando ocorre o desenvolvimento de uma ideia inicial de produto, o MVP (ou MinimumViableProduct), normalmente financiado pelos próprios sócios, seus amigos, parentes ou, no máximo, por uma incubadora ou investidor-anjo. Este capital inicial chamamos de "capital semente" ou "seed capital".

Neste momento, a startup muitas vezes sequer possui faturamento. É quando seus sócios estão focados principalmente em estudar a viabilidade de seu negócio, agregar valor ao seu produto e oferecer as melhores soluções aos seus futuros clientes.

Em seguida, na fase de estruturação, é quando as startups recebem grandes aportes de capital objetivando o seu crescimento e expansão. Aqui, a empresa já possui receitas recorrentes, já estão minimamente consolidadas no mercado, e normalmente já pagaram o seu investimento inicial (o chamado "payback").É quando começam a acontecer as famosas rodadas de investimento.

Nesta etapa, os principais investidores procurados pelas startups são os fundos de Venture Capital, que são especializados em investimentos em capital de risco e financiamento de empresas emergentes. Os fundos de Venture Capital procuram justamente estruturar as suas startups alvo e expandi-las para que alcancem seu potencial máximo e atrair investidores maiores.

Atingida a expansão planejada para a startup alvo, podemos avançar para a terceira etapa do ciclo de investimento: a fase de consolidação ou profissionalização.

Aqui aparecem os fundos de Private Equity, que são voltados a startups em uma fase mais avançada de seu processo de consolidação, com organização institucional elaborada e faturamento elevado, visando prepará-la para a abertura de seu capital (via comercialização de ações na bolsa de valores, por exemplo).

Muito embora o Brasil possua inúmeros fundos de Venture Capital, é notório que ainda pecamos pelo baixo número de fundos de Private Equity, especialmente pela expertise necessária para este tipo de atuação. Muitas vezes, os novos empreendedores acabam socorrendo-se de fundos estrangeiros para auxiliá-los na gestão e profissionalização de seu negócio.

Por fim, chega o momento tão esperado: a startup já não é mais aquela pequena empresa que surgiu apenas com uma ideia inovadora de seus sócios, e está pronta para abrir as suas portas ao mundo, agora devidamente estruturada e organizada.

Em parceria com a bolsa de valores, a startup começa a prospectar potenciais investidores, apresentando suas informações financeiras e detalhes da sua oferta inicial, verificando o nível de interesse alcançado, até o momento em que decide efetivamente abrir o seu capital e comercializar suas ações na bolsa de valores, alcançando o fim de seu ciclo inicial de investimentos.

CAIO NUNCIARONI

é advogado especializado na área de Direito Empresarial, Digital e Startups, bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e
pós-graduando em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também é integrante da Comissão de Direito Empresarial da OAB de Jundiaí/SP


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