Opinião

Jundiaí e o turismo religioso

Faz sentido estimular visitas as propriedades agrícolas que cultivem frutas


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

O turismo é uma indústria promissora. Salvou diversos países, dentre os quais, o caso mais emblemático é o da Espanha.

Jundiaí tem tudo para se tornar um polo turístico e servir de lenitivo para o paulistano que habita uma insensata metrópole.

Tão próxima à conurbação paulistana, da qual os moradores querem fugir todos os fins de semana, nossa cidade oferece singulares atrativos.

Possui a rota das frutas e do vinho, com adegas que se tornam um destino prazeroso para quem aprecia essa bebida, cada vez com maior qualidade, além do suco de uva. Ambas fazem bem à saúde, conforme diz a ciência, embora esta não seja tão prestigiada no Brasil de hoje.

Tem excelentes restaurantes e cantinas, mantendo a tradição de várias décadas, quando os paulistanos em direção ao Circuito das Águas, paravam aqui para almoçar na Chácara das Carpas, no Haiti da praça central e consumir os deliciosos doces alemães de "A Pauliceia".

Faz sentido estimular visitas as propriedades agrícolas que cultivem fruticultura e que ainda guardem hábitos da imigração. É um veio promissor.

Desde que, com bastante cuidado e vigilância, poderia também servir para um turismo ecológico, de grande respeito em relação à natureza, a encantadora Serra do Japi. Passeios com guias especializados seriam agradáveis e pedagógicos, num país que não leva a sério a educação ambiental, embora ela seja expressamente prevista na Constituição cidadã.

Mas não é só. O Parque da Cidade e o Mundo das Crianças merecem visita, assim como o velho Solar do Barão de Jundiaí, com o museu municipal, o Polytheama restaurado por Lina Bo Bardi, a sede da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o Ginásio municipal de esportes Dr. Nicolino de Lucca e outros espaços que atendem a uma multiplicidade de interesses.

Mas algo que mereceria atenção é o turismo religioso, pouco explorado em nossa cidade.

A Catedral Nossa Senhora do Desterro é um templo majestoso, foi reformado por Ramos de Azevedo, que construiu em São Paulo o Teatro Municipal e o Palácio da Justiça, dentre outras edificações. Possui vitrais magníficos e imagens sacras de excepcional beleza e que eram pessoalmente escolhidas pela sensibilidade e bom gosto estético d oMonsenhor Doutor Arthur Ricci.

Não é muita gente que sabe que a Catedral possui uma cripta, onde estão sepultados os três primeiros bispos da diocese. Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, que Dom Agnelo Rossi apresentou, quando veio instalar o bispado em Jundiaí, como "o máximo de espiritualidade em um mínimo de matéria". Verdadeiro Santo, Dom Gabriel chegará aos altares, mas para isso é necessário alavanquemos o processo de sua beatificação. Ao seu lado repousam Dom Roberto Pinarello de Almeida e Dom Amaury Castanho.

Essa cripta é um lugar apropriado para orar, pedir bênçãos e inspiração, pois os três Prelados são modelos de virtude.

Um outro lugar para peregrinação é a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Vila Arens. O interior desse templo conta com pinturas modernas, a retratar pessoas reais, moradores daquele bairro e paroquianos da igreja entregue há muitos anos à administração aos padres salvatorianos.

O Mosteiro de São Bento é também digno de visitação. Na verdade, o orago é Sant'Ana, mãe de nossa Senhora. Pelo fato de pertencer à ordem beneditina, é mais conhecido como São Bento. Ali viveu e distribuiu generosidade e conforto espiritual o Abade Dom Pedro Roeser, também chamado "Dom Abade", que, para muitas pessoas, era taumaturgo.

O cemitério Nossa Senhora do Desterro, se merecera vigilância e zelo, seria outro espaço para turismo arquitetônico e religioso. A parte antiga ainda conta com sepulcros de mármore branco, verdadeiramente artísticos. Ali repousam sacerdotes como o Vigário JJ Rodrigues, Monsenhor Arthur Ricci, os salvatorianos que serviram em Jundiaí, as religiosas de Jesus Crucificado e pessoas que merecem devoção particular como Maria Hipólito e o médico Dr. Domingos Anastásio.

Existe um tesouro ainda negligenciado, que pode movimentar o turismo jundiaiense, inclusive essa modalidade tão importante que é ligada à religiosidade.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - gestão - 2021- 2022


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