Opinião

É preciso cuidar disso!

Amiúdam-se as notícias de roubos e furtos praticados em Jundiaí


divulgação
HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

Todos nós estamos orgulhosos quando Jundiaí é apontada como uma das melhores cidades do Brasil. A qualidade de vida aqui é realmente estupenda. Por óbvio, temos de estar atentos. O maior patrimônio natural, a Serra do Japi, merece vigilância contínua. Principalmente agora, com o Brasil sendo considerado pária internacional, pelo que está fazendo com a Amazônia e demais biomas, é preciso que as unidades subnacionais - Jundiaí é uma - sejam muito prudentes no trato com sua natureza.

Por isso é que uma das bandeiras de cada cidade deveria ser o reflorestamento. Há muitas áreas degradadas. Terra que poderia ser destinada a receber mudas nativas da Mata Atlântica, tão perto de nós, e tão maltratada.

Seria excelente oportunidade para oferecer ocupação aos desempregados. Formar viveiros, cuidar das mudas, transplantá-las, cuidar delas até que vinguem. Tornar Jundiaí uma referência também na ecologia. É a implementação concreta da cultura ESG - Ambiente (Environmental), Social & Governance, que para a administração pública se traduziria em gestão inteligente. Gestão para as pessoas, não para o próprio poder público.

Mas hoje queria focar um outro problema que tem me preocupado bastante. Amiúdam-se as notícias de roubos e furtos praticados em Jundiaí. Vários conhecidos e amigos já foram vítimas. Isso não é bom. Na verdade, é muito ruim.

Pessoas viajam e, quando voltam, a casa foi alvo de furto. Apartamentos, que eram considerados mais seguros, também são vulneráveis. Mas é possível procurar fórmulas de reduzir a reiteração dessas práticas.

Verdade que a pandemia escancarou a miséria e, como a população nunca teve a educação de qualidade que merece, espíritos menos providos de ética - a matéria-prima de que o Brasil mais se ressente - apelam para a delinquência.

Porém é preciso combater o recrudescimento da criminalidade com espectro amplo de ações. Na prevenção, usar da tecnologia para formar redes de moradores da mesma rua, do mesmo bairro, da mesma região. Os grupos de whatsApp são úteis para uma espécie de vigilância permanente. É bom reforçar os laços de vizinhança, que eram tão sólidos há algumas décadas e que parecem desmanchar-se com o passar dos anos.

É preciso que Polícia Militar, tão operosa, Polícia Civil, Polícia Municipal - ou guarda - se unam à rede de vigilância privada, para um plano inteligente de ação. Rondas mais frequentes, presença do esquema de segurança mais constante em toda a cidade.

Também é preciso treinar os zeladores dos edifícios. Mais cautela para identificar quem se propõe a adentrar a prédios que prometiam absoluta segurança e que hoje são tão perigosos quanto as residências. Os condomínios precisam zelar pela incolumidade de seus condôminos.

A investigação dos crimes consumados precisa ser ágil e pronta. Para que Ministério Público e Justiça Criminal cumpram sua missão. A cidadania é também responsável pela segurança da cidade. Não existe mais o "não tenho nada com isso", "você, para mim, é problema exclusivamente seu". Todos são responsáveis por todos.

Não sou adepto ao cárcere. Mas os ladrões profissionais, às vezes, precisam merecer prisão com ressocialização. Prestigiar a Pastoral Carcerária. Não deixar que a juventude seja atraída por um consumismo irresponsável e corra risco de morte precoce, para aderir à banda podre da sociedade

Sem prejuízo, multiplicar as ações de preparo da infância e juventude para a licitude. Propiciar a eles a prática rotineira do esporte, sempre inimigo da delinquência. Oferecer entretenimento, frequência a cursos, ao catecismo, a atividades lúdicas. Tudo para tirar o foco daquilo que parece mais fácil, mas poderá se tornar trágico.

Jundiaí tem um especialista em segurança pública, o jovem Rafael Alcadipani da Silveira. Recorrer a ele para um planejamento comunitário, pois uma das melhores cidades do País não pode conviver com números crescentes de crimes contra o patrimônio.

Democracia participativa é fazer com que todos tenham voz e sejam atentos ao clamor por empenho pessoal no dever de tornar a sua cidade a mais segura, tranquila e aprazível, comparada a todas as demais. Isso é o que se espera dos jundiaienses, neste 2021 de tantos desafios.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


Notícias relevantes: