Opinião

Violência psicológica agora é crime!

Esse tipo de violência é muito sutil e identificá-la pode ser difícil


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YARA SCHOWANTZ
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Uma lei aprovada em 28 de julho deste ano torna crime a violência psicológica, que é aquela considerada como qualquer conduta que cause diminuição da autoestima, danos emocionais, que vise controlar as ações, decisões, comportamentos e crenças de uma pessoa.

A violência psicológica pode ser sofrida por qualquer pessoa já que o perfil de quem comete a violência pode ser reproduzido tanto por homens quanto mulheres, porém a grande maioria dos casos de violência acomete as mulheres.

O motivo para as mulheres serem as principais vítimas é histórica e culturalmente dada por uma sociedade machista como a nossa, onde mulheres já enfrentam situações cotidianas que subestimam sua capacidade, que fazem com que a autoestima fique abalada, que torna seus corpos alvos de assédio e desrespeito e que dá a mulher um lugar secundário e subalterno.

Mas, afinal, como podemos identificar situações de violência ou mau-trato psicológico? Esse tipo de violência é muito sutil e identificar se isso está acontecendo pode ser difícil para quem a sofre.

Por isso podemos pensar que é umas das violências mais avassaladoras, pois não é incomum que a mulher se sinta culpada e confusa com o que está vivendo, até mesmo porque esse é um dos objetivos do abusador, quanto mais culpada a mulher se sente mais vulnerável ela fica e mais se submete ao controle do outro.

A violência física muitas vezes é o que faz uma mulher perceber que está em uma relação abusiva, mas até que ela aconteça outras violências e maus-tratos já podem ser presentes naquela relação ou situação.

É importante ter atenção aos desconfortos que sentimos em uma relação. E quando digo relação não é só amorosa, mas de trabalho, amizades e família também, pois a violência psicológica pode se dar em várias esferas da vida.

Os principais sinais para perceber a violência psicológica estão relacionados a situações frequentes de humilhação e isolamento social. Além disso, ameaças, constrangimento, manipulação, xingamentos, proibir o convívio social, impedir viagens, não permitir estar ou falar com amigos e parentes, chantagem emocional, culpabilização e controle excessivo.

Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre sua capacidade e sanidade, conhecido como Gaslighting também é uma das táticas de quem comete a violência.

Os danos da violência psicológica podem ser irreparáveis e devastadores justamente pela dificuldade de se perceber esse tipo de violência. Ela pode se estender por anos na vida de quem sofre, levar a depressão, causar dependência emocional, afinal a pessoa que comete a violência costuma isolar a vítima e fazê-la acreditar que ela não é capaz de ficar sozinha e cuidar da própria vida, então ela fica presa a uma relação ruim por medo, insegurança e por acreditar realmente que não tem valor.

Acontece também um processo de despersonalização, ou seja, o controle sobre sua vida é tanto - onde vai, com quem conversa, que roupa usa, o que posta em suas redes sociais - que a pessoa não consegue mais se perceber como indivíduo que tem desejos e anseios, tudo passa a ter que ter aprovação do outro para acontecer.

O que fazer então para ter atenção nas nossas relações e nos protegermos da violência psicológica?

Fortalecer a autoestima para não depender de ninguém e se sentir segura, buscar o autoconhecimento para não duvidar de si mesma e assim poder identificar desconfortos provocados pelo outro e não se culpar são pontos importantes para prevenir situações de violência e maltrato psicológico.

É muito importante também buscar entender esse fenômeno, quais são os sinais e características comuns e estar sempre alerta quanto à intensidade das relações. Quando o começo de uma relação amorosa por exemplo é muito intenso, quando parece que seu príncipe do cavalo branco chegou morrendo de amores por você, fique atenta, muitas vezes o que parece uma paixão avassaladora pode ser uma armadilha, a pessoa começa a controlar sua vida, fazer cobranças excessivas!

Ao menor sinal de algo não está bem, busque ajuda, converse com alguém que confie, denuncie, não se cale!

YARA SCHOWANTZ é psicóloga clínica e mestranda em Saúde Coletiva


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