Opinião

Células, 9 comportamentos empreendedores

Nossas células se vinculam, conectam-se entre si por propósito


ALEXANDRE MARTINS
ARTICULISTA ELISA CARLOS
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Esse final de semana me diverti aplicando a lei da correspondência entre gestão da inovação e os comportamentos das células de um ser humano. A Dra. Iraides Nunes, professora de fisiologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, que também pratica yoga, passou o dia conosco em curso. Ela trouxe uma referência, que imagino seja pouco usual na academia tradicional: Deepak Chopra, relacionando yoga, anatomia e fisiologia. E eu pirei relacionando com gestão da inovação e Kybalion.

O segundo princípio Hermético é o da correspondência, o clássico: "as below, so above, as above so below", o que está em cima é como o que está embaixo e vice-versa. Hermes Trismegistus foi um faraó egípcio que ninguém sabe muito bem se é uma lenda ou um iluminado de mais de 4 mil anos atrás, que compôs o tratado Hermético ou Kybalion, um conjunto de aforismas que representam as Leis Universais. Místico ou não, as leis vêm sendo comprovadas cientificamente. Ao aplicar o princípio da correspondência olhando os 9 comportamentos de uma célula descritos por Deepak Chopra no seu livro Super Genes, é possível nos inspirar para a visualização de uma forma mais humana e sustentável de empreendedorismo.

Deepak nos conta que nossas células têm consciência, apresentam estado de presença e atenção plena para rapidamente adaptar-se às condições do ambiente. - Assim como, Frederic Laloux, no seu livro Reinventing Organizations, propõe exercícios para o desenvolvimento do estado de presença em reuniões. Elas se comunicam claramente sobre suas intenções e necessidades, assim como propõe que façamos, Marshall Rosenberg, no seu livro Comunicação não violenta. São eficientes, fazem o melhor que podem com o recurso disponível, sem acumular nada. Da mesma forma, nosso amigo Eric Reis, sugere no seu livro Lean Startup que construamos um MVP para testar as soluções dos problemas dos nossos clientes, ou seja, uma primeira versão do produto rápida, fácil, com o mínimo recurso possível.

Nossas células se vinculam, conectam-se entre si por propósito, sem gerar marginalidade. Como a proposta do Capitalismo Consciente, de Raj Sisodia, prof. da Babson College que prega a relação afetiva e de cura entre a organização e todos os agentes de mercado envolvidos e não envolvidos (como o planeta por exemplo). São criativas e alteram, sempre que necessário, o seu padrão de comportamento, sem nenhum apego. Assim também é a metodologia ágil de gestão de projetos, em que através de processos interativos e iterativos, modifica-se o caminho do desenvolvimento frequentemente, ajustando-o para a definição muito mais assertiva do produto esperado pelo cliente.

Nossas células ainda são generosas, sabem seu papel e o desempenham com excelência sem contabilizar o que vão ganhar em troca. Charles Eisenstein, no seu livro a Economia Sagrada e Nipun Mehta com a economia da generosidade, ambos também acreditam no poder da doação sem expectativas de retorno, substituindo o ciclo econômico de consumo atual por constantes doações individuais que no fim, sempre alcançam o doador, suprindo adequadamente todos os seres.

As células possuem ritmo, alternam constantemente entre atividade e descanso; exatamente como propõe na teoria U, o prof. Otto Scharmer do MIT: momentos de inspiração externa e expiração interna. Elas aceitam sua natureza intrínseca e das outras células. Assim como Simon Sinek, no seu livro 'Find your why' propõe que façamos exercícios profundos para encontrar o que nos move. São imortais. Através do seu código genético reconhecem a sua própria vida na unicidade. Como também reconhece Fritjof Capra quando nos ilustra que cada indivíduo é uma combinação única da mesma fonte energética.

No final, nada é tão diferente da gente como a nossa mente vagueia...

ELISA CARLOS é mãe da Nina, da Gabi, yogini, especialista em inovação e head de operações da Softex Nacional


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