Opinião

As faces da inflação


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MESSIAS MERCADANTE DIRETOR ADMINISTRATIVO DA CAMARA MUNICIPAL ECONOMISTA
Crédito: divulgação

A difícil missão dos Bancos Centrais quando da definição da política de combate à inflação considerando, fundamentalmente a sua origem: se sustentada pelo que chamamos de “inflação de demanda”, que ocorre quando há um aquecimento da economia, oxigenada por um excesso de liquidez, ou seja, excesso de moeda e crédito na economia ou, se baseada numa “inflação de custos”, que se transfere também para os preços das mercadorias e serviços.

Para se combater a inflação, seja originada de demanda ou de custos ou, ainda, de ambos, os Bancos Centrais se utilizam de política monetária, controlando a oferta de moeda e crédito na economia e, para tal, restringem a oferta de moeda bancária ou escritural, retraindo o crédito através do aumento do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista e a prazo e, paralelamente, aumentam a taxa de juros para provocar uma queda na demanda agregada do país.

Necessário se faz à adoção de outra política fundamental que deva agir concomitantemente e, na mesma direção e coerentemente com o Banco Central que cabe à gestão econômica do Governo: - Trata-se da “Política Fiscal” que, prioritariamente, terá que, com austeridade, restringir gastos e perseguir o equilíbrio orçamentário, de forma a não exceder em suas demandas no mercado, corroborando no combate à inflação.

Neste ano, estamos experimentando um aumento da inflação que está projetada para cerca de 8 % no ano e, sua origem tem bases na demanda externa; na taxa de câmbio no País e na inflação de custos, internamente.

O aquecimento da demanda de commodities primárias como minério de ferro, grãos, proteínas, animais e petróleo, principalmente, pela China e, também pelos países desenvolvidos do Ocidente, conduziram os preços desses bens a patamares elevados no exterior e que, por equivalência de valores e custo de oportunidade, no caso do Brasil que somos um dos maiores exportadores mundiais desses bens, entendendo petróleo bruto e não petróleo leve que importamos, acabamos também pagando mais caro por esses produtos no mercado interno.

Os preços maiores se somaram a uma desvalorização cambial e provocaram pressões maiores na inflação interna.

Analisando, portanto, numa série temporal, a origem da inflação que temos, podemos verificar: - ocorre um aumento da “demanda” desses bens fundamentais maior que a “oferta”, no mercado internacional; esses preços maiores são extrapolados para o mercado brasileiro que se tornam ainda maiores em função da taxa de câmbio.

Em uma outra ponta, a política fiscal do Governo não ajuda e a inflação recrudesce. Restou ao Banco Central aumentar a taxa de juros que, num curto espaço de tempo, subiu de 2,5 % ao ano para 5,75 % ao ano, por enquanto, e, para segurar as desvalorizações cambiais, interviu sistematicamente no mercado cambial, aumentando a oferta de dólares.

O efeito dos aumentos dos preços desses e outros bens no mercado internacional vem provocando um fenômeno relativamente singular no mundo. A inflação projetada para esse ano nos Estados Unidos se situa em torno de 6%, número não visto, pelo menos, nos últimos quarenta anos.

A inflação será maior também na China, na Europa e no Reino Unido e, como consequência, os insumos agrícolas e matérias-primas que importamos também chegam mais caros. Aqui no Brasil temos ainda o agravante das secas; o custo da energia e dos combustíveis que aumentam a inflação.
Problemas não faltam e as soluções não são fáceis.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor de Economia da Unianchieta, Conselho de Administração da DAE e consultor de empresas


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