Opinião

O dilema da multidão

A multidão muitas vezes não sabe nem porque está ali


DIVULGAÇÃO
PASTOR DANIEL
Crédito: DIVULGAÇÃO

Nesta última semana vimos uma excepcional demonstração de democracia com multidões indo às ruas para defenderem as suas causas.

Não vou entrar no mérito político ou da validade das causas, mas quero apenas refletir a respeito dessa concentração de pessoas.

As multidões sempre fizeram parte da história. Em todos os períodos e épocas os homens se uniram para defender as suas causas ou se organizaram para travarem as suas batalhas.

Esse agrupamento de indivíduos é o resultado do instinto humano de ser aceito ou de prevalecer e isso, em bando, como os animais.

A verdade é que esse ajuntamento nem sempre é benéfico, ele pode muitas vezes ser a manipulação de algo ou alguém com poder de convencimento que por seus interesses pessoais conduz a manada ao seu objetivo sem representar de fato o interesse ou o bem comum.

O movimento de uma concentração de cidadãos, quando bem fundamentado, sempre trará benefícios coletivos e resultados agregadores, mas quando apenas tem o objetivo de manipular o povo, este então sofre a desilusão e o regresso.

Nunca fui muito de ser um na multidão, não que quisesse ser melhor que os outros ou o "diferentão", mas sempre quis ser eu mesmo e representar meus próprios pensamentos. Por muitas vezes fui incompreendido e até isolado, mas sempre tive paz comigo mesmo em saber que nunca fui massa de manobra de ninguém, mesmo quando muitas vezes, concordava com estes.

O ponto é que a multidão muitas vezes não sabe nem porque está ali, fora movida pelo impulso de ver alguém a frente. É como no trânsito quando você vê uma fila de carros imensa em uma faixa e a outra vazia e, você não entende o porquê.

Dentre as travessuras de menino, certa vez com os amigos em um shopping, resolvemos parar em meio à praça de alimentação e olhar para o mesmo ponto no teto fingindo espanto... De repente mais e mais pessoas foram chegando e começaram a também olhar para o teto sem saber para o que estavam olhando. A multidão age assim, se ajunta para olhar, porque outro também está olhando e nisso, nem sabe por que está ali.

Multidões fizeram parte das histórias bíblicas tanto em momentos bons como ruins. Elas estavam quando o dilúvio aconteceu, quando o povo foi liberto do Egito, quando choveu pão do céu, quando o mar abriu e em diversos outros momentos. Mas as suas decisões nem sempre foram boas, a de Israel pediu um rei humano quando na teocracia tinham um rei celestial e eterno, e então ela morreu no Egito porque decidiu adorar um outro deus e desejou voltar pra escravidão. A mesma multidão recebeu a Jesus como rei e uma semana depois estavam mandando crucificar Ele soltando um bandido em seu lugar. Ela é um organismo vivo que na maioria das vezes é irracional.

Uma multidão que não pensa, que não leva amor, que não visa o benefício do próximo, que só exige, mas nada faz, dessa eu não quero fazer parte. Mas dou a minha vida para fazer parte daquela relatada em Atos 4:32-34 "Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham.

Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles.

Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um."

Também anseio em fazer parte da multidão registrada no livro do Apocalipse onde esta estará salva para sempre em plena festa ao lado do Senhor Jesus. Meu esforço é e sempre será fazer parte dos ajuntamentos, cujo propósito, verdadeiramente vale a pena.

Multidões não devem servir para levantar ou derrubar ninguém, isso nunca deu certo. Elas devem existir para que, um apoiado ao outro, sempre permaneça em pé, pois ninguém precisa estar no chão, assim como ninguém precisa estar pisando na cabeça de ninguém.

Se de fato queremos mudança no país ou no mundo, nossa multidão precisa então ter um só coração e uma só mente, amando o semelhante, buscando suprir suas necessidades e desejando ardentemente fazer parte de algo duradouro com alegria plena.

Deus abençoe a nossa multidão!

PASTOR DANIEL ANTONIO é teólogo, administrador e publicitário, MBA Coaching e Mentoring, MBA em Gestão de Negócios, palestrante do Jesus Coaching e do canal Falando sobre Deus; [email protected] e instagram: @prdanielantonio


Notícias relevantes: