Opinião

Jundiaí e a ESG

Incumbe à iniciativa privada assumir a racionalidade


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HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM
Crédito: divulgação

O conceito ESG talvez seja a esperança de dias melhores para a humanidade. A sigla deriva das palavras em inglês que contemplam a preocupação conjunta e simultânea sobre o Ambiente (Environmental), Social & Governança Corporativa, que para o poder público significa gestão eficiente e inteligente.

A ideia vincula-se ao Triple Bottom Line, elaborado por John Elkington na década de noventa. A proposta era agregar à ótica econômica de percepção dos negócios, também as visões ambientais e sociais. O uso da sigla ESG começou com o relatório Who Cares Wins, Connecting Financial Markets to a Changing World, divulgado em dezembro de 2004. Iniciativa conjunta desenvolvida pelo Pacto Global da ONU e instituições financeiras.

Dele constava como recomendação, o convencimento de que é do interesse dos investidores, gestores de ativos e corretoras de valores mobiliários, pensar não apenas na obtenção de resultados econômicos, mas também considerar aquilo que trouxesse sustentabilidade para o planeta.

Essa noção ganhou consistência com o rumo desastroso das políticas estatais voltadas à extinção do ambiente, sacrificando a economia já combalida de países que teriam tudo para ganhar protagonismo com a política de descarbonização.

O Brasil seria o destinatário natural dos 70 trilhões de dólares disponíveis para esses projetos. Mas, ao invés de se valer desse patrimônio gratuito, que não foi construído pelo homem, ele preferiu desmatar, incendiar, permitir exploração ilegal, invadir reservas e áreas indígenas.

Quando o governo se afasta da racionalidade, incumbe à iniciativa privada assumir o vácuo. Por isso é que, no mundo civilizado, consumidores e investidores estão a cada dia mais interessados em fazer com que ESG não se constitua numa espécie de marketing verde, que suscitou o fenômeno do "greenwashing", mas constitua uma política a ser levada a sério pela ficção chamada "sociedade civil".

A tomada de decisões tem de se pautar por essa tendência que viria contribuir para frear o ritmo da jornada que conduzirá a humanidade à catástrofe. Os investidores conscientes consideram em sua análise de aplicação de recursos financeiros as questões ambientais, de maneira não apenas a se portar de maneira ecologicamente correta, mas também atuar na redução das emissões de CO2, tratamento adequado de resíduos sólidos, economia de água, descarte de materiais poluentes, utilização de energias renováveis, implementação da logística reversa e da economia circular.

Quanto ao "S" de social, não só respeitar os direitos dos funcionários, o bem-estar dos colaboradores, mas atuar junto à comunidade, para que ela também se beneficie das atividades econômicas desenvolvidas pela empresa que está sendo avaliada pelo universo consumidor.

A governança nunca foi assunto desconhecido para o empresariado. Nessa parte, tudo parece funcionar melhor. Mas agora deve ser otimizada com a inserção da preocupação ecológica e social.

Mas porque se reflete em torno a um tema que parece mais destinado a ser objeto de atenção por parte da comunidade internacional, ou no âmbito da União Federal, e aqui se fala numa ESG municipal:

Porque o momento é de enorme tensão. A União, por sua política antiambiental, foi considerada pária pela comunidade das Nações desenvolvidas. E a República Federativa do Brasil é sui generis, no sentido de incluir o município como entidade da Federação.

Isso faz com que municípios da dimensão de Jundiaí, se tornem essenciais na demonstração de que ESG pode ser praticado no âmbito de uma entidade federativa subnacional, como o município.

No âmbito ecológico, Jundiaí tem a Serra do Japi, um tesouro que precisa estar sob severa vigilância do Poder Público e da comunidade, pois diminuir seu entorno ou permitir desmatamento será catastrófico para o excelente microclima.

É preciso investir no reflorestamento, na restauração da mata ciliar, na multiplicação de verde em todos os espaços. Isso ajuda a combater o aquecimento global. E uma boa política jundiaiense para o ESG daria ocupação lucrativa para a massa informal e desempregada, que poderia ser treinada para atuar na defesa ambiental, na reciclagem, na produção de mudas e no replantio, para curar as feridas abertas pelos dendroclastas.

Que haja bom senso e que Jundiaí seja um dos primeiros municípios a tirar proveito daquilo que ESG poderá trazer de investimento para a sua população.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS - 2021-2022.


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