Opinião

O que a Paralimpíada nos deixou?

A humanidade deve ser compartilhada em nossas vidas


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COLUNISTA LICIANA ROSSI
Crédito: divulgação

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, que aconteceram este ano, deixaram muitos ensinamentos e toda a beleza que há na diversidade. Tivemos uma amostra da riqueza que todos os atletas nos proporcionaram a cada prova.

Garra, superação, quanta honra em carregar suas bandeiras. Olhos brilhavam de emoção por estarem lá. Foram mais de quatro mil atletas, em 22 esportes. Confesso que me emocionei muitas vezes. Meus filhos acompanharam e torciam sem olhar a "deficiência", mas os atletas, as pessoas que se superaram para chegar lá.

E esse olhar para o esporte paralímpico foi o que mudou, pois há muito o que reverenciar nestes super-heróis, que além de dominarem a técnica nas suas modalidades, venceram o preconceito e nos mostraram o que é igualdade, pois mesmo com graus de deficiências diferentes, competiram e deram o seu melhor, já somos todos iguais.

As Paralimpíadas surgiram em 1960, em Roma. Vieram através do esporte como um meio de reabilitar as pessoas com algum grau de deficiência. O Brasil fez sua primeira participação em 1972. Em Tóquio, o Brasil se destacou, ficando em 8° lugar, com 54 medalhas: 19 ouros, 13 pratas e 22 bronzes.

Nossa cidade brilhou. Tivemos Joyce Fernanda no tênis de mesa, o velocista dos 400m Thomaz, atleta do PEAMA (Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas), que começou aos 6 anos e ganhou de cara uma prata na sua estreia em Paralimpíadas, um grande talento do esporte brasileiro. Além do técnico do Goalball, também professor do PEAMA, Alessandro Tosin, que fez história ao conquistar o ouro, fruto de todo o seu talento, trabalho e dedicação.

Este programa, o PEAMA, é digno de muito orgulho para Jundiaí. Eu o conheci de perto e estagiei lá,durante a faculdade, conheci pessoas muito especiais e extremamente dedicadas aos esportes adaptados, como Ana Lúcia Pavão, Tereza Leitão, Romilda Roncoleta, Denise Neves, dentro outros mais, com seus trabalhos magníficos tanto para crianças como adultos com deficiências, abrindo o caminho para que os praticantes e amadores pudessem se tornar atletas renomados. Um lindo trabalho, aprendi muito lá.

O esporte empodera as pessoas, promove autoconhecimento, saúde, felicidade, ensina a superar as adversidades com garra e determinação. Alguns chegam às paralimpíadas, outros treinam para serem felizes e saudáveis. Não há barreiras no esporte. Podemos integrar as pessoas através dele.

Nestes Jogos Paralímpicos pudemos imaginar o caminho árduo que os atletas enfrentaram, quantas dificuldades e dores a serem vencidas. Estigmas e preconceitos foram quebrados, os atletas provaram como são fortes e poderosos perante as câmeras do mundo todo, atravessaram a pandemia, chegaram lá e brilharam, nos emocionaram e deram um verdadeiro show.

E as comemorações? O respeito com os adversários? Estas Paralimpíadas nos ensinaram da igualdade à disciplina, escancararam as possibilidades de inclusão que o esporte proporciona, pois os atletas estavam competindo, dando seu sangue sem deixar que as barreiras do corpo e do preconceito interferissem na busca por resultados.

Mostraram suas habilidades que, mesmo com limitações, não foram empecilhos para darem o seu melhor. Quanta confiança estes atletas aparentavam ter, acreditando no seu potencial, confiando nas suas capacidades, nos ensinando a gostar de quem nós somos e a valorizar nossas qualidades, dando verdadeiras lições de aceitação, superação, dedicação e principalmente, alegria de viver. Pois o esporte não é valorizado em nosso país, imagine o esporte paralímpico.

Além de tudo isso, um movimento global foi organizado, tendo o esporte como a abertura de portas de uma busca incansável: a igualdade. Assistindo aos jogos eu fiquei sabendo deste movimento "We The 15", pois 15% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência. As maiores organizações do mundo vêm interagindo para criar politicas para não deixar ninguém excluído.

A humanidade deve ser compartilhada, não olharemos mais para as pessoas diferentes de nós, nós a integraremos em nossas vidas, em nossas cidades através das possibilidades e acessibilidades, nós a colocaremos em nossos corações, é disso que o mundo necessita. Parabéns a todos os atletas paralímpicos. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é Pós graduada em Treinamento Desportivo (Unicamp), Exercícios Corretivos (Academia Nacional de Medicina Esportiva dos USA), CHEK Practitioner2, HolisticLifestyle Coach2, CHEK Institute/USA, L.P.F. Specialist e graduanda SomaTraining/ELDOA-USA.


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