Opinião

Os verdadeiros desafios do Brasil

Nossos principais desafios são a elevada inflação e o alto desemprego


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ARTISCULISTA VANDERMIR FRANCESCONI JUNIOR
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O manifesto "A Praça É dos Três Poderes" lançado por Fiesp e Ciesp - e subscrito por outras 247 entidades - pedindo harmonia entre esses três pilares da nossa democracia expressa o que o país precisa neste momento: serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer de forma sustentada e continue a gerar empregos. Não podemos perder de vista o que realmente importa.

Do ponto de vista da saúde pública, a questão está encaminhada. A vacinação no Brasil segue firme e acelerando conforme a disponibilidade de doses. Ao contrário de populações de outros países, os brasileiros querem se vacinar. A queda forte no número de casos e internações reflete a imunização contra a covid-19 e a perspectiva é de um cenário ainda mais positivo no fim de 2021, depois de quase dois anos de pandemia.

Do ponto de vista econômico, nossos principais desafios são a elevada inflação e o alto desemprego. Como reflexo do forte aumento das matérias-primas no mercado internacional e a significativa desvalorização da taxa de câmbio, os preços ao produtor e ao consumidor vêm registrando variações expressivas. Nos últimos doze meses até agosto, a inflação ao produtor registrou alta de 35,9%, os preços agrícolas tiveram aumento de 44% e preços industriais de 32,8%.

Essa pressão do atacado, somada ao aumento da energia elétrica, chegou ao consumidor. Em doze meses até agosto, o IPCA registra alta de 9,7%, número muito acima da meta de inflação do ano (3,75%). Itens sensíveis no orçamento da população carente subiram com força nesse período, como alimentação (16,6%) e energia elétrica nas residências (21,1%). Essa perda no poder de compra afeta negativamente a atividade econômica, por isso,os esforços devem ser direcionados ao controle da inflação, revertendo sua trajetória ascendente, o que garante, ainda, sustentabilidade para a níveis mais baixos de taxa de juros.

Em função de seus efeitos sobre a taxa de câmbio, a disciplina fiscal, com o cumprimento do Teto de Gastos (que limita o crescimento das despesas públicas), é crucial para reverter o cenário de elevada inflação. É uma regra de extrema importância, pois dá alguma previsibilidade e disciplina na trajetória do gasto público.

A elaboração de um orçamento crível para 2022, observado o Teto de Gastos, é o primeiro passo para acomodar pressões excessivas sobre a taxa de câmbio, a inflação e as taxas de juros de mercado.Com isso, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) terá de equacionar o sério problema dos precatórios, que custarão R$ 89,1 bilhões em 2022 (eram R$ 57 bilhões em neste ano). Brasília está em busca de uma saída política ou jurídica para a questão. É fundamental dar um direcionamento responsável a esse gasto, que está sendo chamado de 'meteoro' pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O emprego é outro desafio econômico urgente do país. Embora o Brasil venha registrando forte geração de postos de trabalho desde o segundo semestre de 2020 (3,2 milhões vagas formais entre julho de 2020 e julho de 2021), o índice de desemprego permanece elevado. Com a gradual retomada das atividades econômicas e a redução do valor do Auxílio Emergencial, muitas pessoas estão em busca de uma ocupação, o que pressiona a taxa de desemprego. Atualmente, há 14,4 milhões de pessoas procurando trabalho.

A queda consistente da taxa de desemprego passa, necessariamente, por um forte crescimento econômico. O quadro, no entanto, é desafiador. O PIB este ano deve crescer em torno de 5%, após ter caído 4,1% em 2020, e apenas 1,7% em 2022.

Para impulsionar o crescimento sustentado, melhorando a produtividade e a competitividade da economia, precisamos progredir nas reformas estruturais. A Tributária, porém, no momento se resume a alterações ruins no Imposto de Renda. Trabalharemos para que o projeto aprovado na Câmara não vá adiante no Senado. O debate em torno da Administrativa, reforma essencial para evitar a explosão do gasto público na próxima década, está apenas começando. Urge enfrentarmos esta agenda modernizadora, já superada em outros países, para avançarmos finalmente nas discussões mais atuais e relevantes da economia mundial, como a 4º Revolução Industrial.

VANDERMIR FRANCESCONI JÚNIOR é primeiro diretor-secretário da Fiesp e do Ciesp


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