Opinião

Analisando os números do Brasil

O Brasil vai terminar com saldo positivo de 2,5 milhões de emprego


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MESSIAS MERCADANTE DIRETOR ADMINISTRATIVO DA CAMARA MUNICIPAL ECONOMISTA
Crédito: divulgação

Como escreveu Vinícius de Moraes "A vida é feita de encontros, embora haja tantos desencontros pela vida".

O Brasil vive um período de grandes desencontros. Ser crítico, olhar e abordar os fatos sempre de forma negativa ou apenas observando uma "face da moeda" que induza a opinião pública a um erro de interpretação ou a uma visão apenas unilateral e distorcida, além de desconstruir e prejudicar a imagem de líderes e dirigentes do nosso país, no Executivo, Judiciário e Legislativo e, em muitos casos criam oportunidades de ganhos e, consequentemente, perdas na Bolsa de Valores.

Fato recente ocorreu com o aumento do IOF - Imposto sobre Operações Financeiras, por um período de apenas três meses, outubro, novembro e dezembro deste ano. Em janeiro de 2022, a medida provisória não mais terá validade. Alíquota diária para as empresas subirá de 0,0041% (equivalente a uma taxa anual de 1,5%) para 0,00559% (2,04% ao ano). No caso das pessoas físicas, vai passar de 0,0082% (3,% ao ano), para 0,0118% (4,8% ao ano).

O governo prevê arrecadar cerca de R$ 2,14 bilhões e destinar esses recursos para bancar a ampliação do programa "Bolsa Família", rebatizada de "Auxílio Brasil", ampliando o benefício atual que atende a cerca de 14 milhões de famílias para 17 milhões de famílias, com um valor para R$ 300,00 mensais. Com o IOF, o Governo atende às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal, indicando uma fonte de receita para o aumento dessas despesas.

As notícias decorrentes dessa ação desencadearam em uma queda especulativa de 2,5% na Bolsa de Valores; ampla informação nos meios de comunicação de que provocaria mais inflação no País e o destaque do objetivo eleitoreiro da medida, faltando ainda um ano para as eleições, sendo que MP vale, somente até dezembro próximo.

Foi também noticiado o aumento do benefício às famílias, sem grandes destaques para um país que tem atualmente 46 milhões de pessoas entre os desempregados e os sem renda.

Essa medida, pela sua incidência pontual no custo financeiro de muitas pessoas e empresas, não todas, porque muitas outras, ao contrário, são aplicadoras e não tomadoras de recursos, não provocará aumento da inflação. O aumento dos combustíveis; energia e alimentos, esses sim, aumentam a inflação.

Voltando aos "desencontros", podemos verificar eminentes economistas afirmando que o Brasil está quebrado. O Brasil não está quebrado. A nossa dívida interna de R$ 5,4 bilhões vai fechar este ano em cerca de 80% do o PIB - Produto Interno Bruto, que deverá crescer próximo de 5,5%. Ainda neste ano, o Brasil vai terminar com um saldo positivo na geração de cerca de 2,5 milhões de empregos.

Analisando as contas externas, temos, atualmente, cerca de US$ 355,0 bilhões de reservas internacionais, volume raro de ser alcançado pela maioria dos países do mundo. Essas reservas foram criadas ainda pelo Governo do presidente Lula e vieram crescendo sistematicamente nos últimos quase 20 anos. Neste ano, o Brasil alcançará um superávit na Balança Comercial de aproximadamente US$ 80,0 bilhões; também um superávit em Transações Correntes próximo de US$ 30,0 bilhões. Os investimentos diretos dos estrangeiros em ativos fixos deverão ficar em cerca de US$ 50,0 bilhões.

O que temos de negativo é que a inflação deverá ficar no patamar elevado de 8%, penalizando mais acentuadamente, como acontece em todo o mundo, as classes de rendas mais baixas. Na mesma direção deveremos ter em dezembro próximo, uma Taxa Básica de Juros - a SELIC, em torno de 7% ao ano, o que em muito irá elevar os juros praticados pelas instituições financeiras no mercado, em prejuízo da atividade econômica e dos empregos.

Para 2022, considerando as questões climáticas, econômicas e sociais em todo o mundo, acho prematuro prever, como verificamos nas opiniões vigentes de analistas econômicos, de que a nossa economia crescerá apenas cerca de 1,5% ou menos. Penso em um desempenho bem melhor, porém, prudentemente, é bom esperar um pouco mais para fazer as projeções.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor da Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE e consultor de empresas


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