Opinião

A caminho da fé

São as romarias que consagram o lugar santo


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Guaraci Alvarenga
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Desde que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, por três pescadores, nas águas do rio Paraíba do Sul, a manifestação da presença de Deus se fez presente em todos nós, na devoção à "Mãe Negra". Os milagres aconteciam e se sucediam. Certa ocasião, dizem os historiadores, que um cavaleiro, incrédulo, passando por Aparecida e vendo a fé dos romeiros, zombou e tentou entrar na Igreja a cavalo para destruir o local e alcançar a sua imagem. Porém, o que esse cavaleiro não esperava era que as patas do animal ficassem presas em uma pedra. A partir daí, o homem passou a acreditar. A pedra em que o cavalo ficou preso pode ser vista na Sala dos Milagres no Santuário Nacional de Aparecida. Desde então, romeiros de todo o Brasil buscam as bênçãos da Santa.

Os peregrinos e cavaleiros fizeram a nossa região tornar-se um caminho de fé. Em Itupeva, a famosa cocheira do Antônio "Turcão" Marchi é parada obrigatória para descanso dos animais. No dizer do tradicional cavaleiro Tuto Fabricio, o seu amigo Turcão é um dos mais fervorosos romeiros que conhece, e sua cocheira é porta aberta a todos que professam a santa romaria para revelar sua eterna gratidão divina. Em Jundiaí, lá na bucólica Roseira, a parada obrigatória se estende pelas terras de Mingo Fonte Basso. Ex-vereador da cidade, com trabalho honesto, o caro Mingo nunca esqueceu suas origens. Sempre acolhedor, o local é abrigo de prestígio entre os romeiros. Famílias tradicionais da cidade se confundem à Romaria e contam a sua história no chão batido da estrada, passada de geração a geração. De avôs a netos e bisnetos: os Lacerda, Durigon, Oliveira, Sudatti, Gut, Toledo Pontes, França Silveira, Nogueira, Borin, Fontebasso, Bardi, Balestrim, Mingotti, Sciamarelli, Rodrigues De Oliveira, Ladeira, Marques, Marquesin, Roveri, Castro, Paula Bueno, Pincinatto, Segre, Barlera, Costa, Galvão, Fernandes (Bananeiros), Fonseca, Tega, Conde, Fabricio, Guim, Chechinatto, Crispim, D'angieri, Trigo, Pires, Soares De Oliveira, Viccari, Andreazi, Biazotto, Biasim, Sacramoni, Frigieri, Campanaro, Scali, Zambom e tantas outras famílias que contribuíram em manter esta santa tradição.

Na verdade, são as romarias que consagram o lugar santo. O santuário de Aparecida acolhe a força desta fé. Desde que sua santa imagem foi encontrada, uma devoção e fervor religioso levam uma multidão de pessoas visitarem as relíquias de Aparecida. Foi assim que compreendi a paixão dos estimados amigos, Pascoal Suenson, Orlando Gazzola, o homem mais doce e de Eduardo Seixas, talvez o nosso maior cavaleiro, e o nosso querido Tioca Dangiere. Pascoal, em sua vivenda campestre, há um pequeno santuário dedicado à Santa que se destaca, por entre frondosas palmeiras, forte símbolo de submissão a sua vontade divina. Orlando Gazola, de caminhoneiro transportador de bois pelos sertões deste país a empresário de sucesso em sua cidade, não deixa de um dia sequer, pelas manhãs e ao entardecer, de agradecer sua bênção. Diz Gazzola que não basta orar, tem de agir com fé e bondade. O cavaleiro Seixas não parou na pandemia. Com seu grande companheiro, um cavalo alazão, cavalgava por entre caminhos bucólicos e lugares encantados pela natureza, sempre mandando mensagens de fé e na certeza da companhia de Nossa Senhora. Atilio D'Angieri Neto, medico veterinário, o nosso amigo Tioca e filhos são fervorosos devotos. Tioca sustenta forte razão e crença. Agradece e deve a sua vida na sua fé em Nossa Senhora. Percorremos na vida muitos caminhos. Como cantou Almir Sater: "é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir."

Entretanto, há de se enfrentar qualquer desafio, para se sentir o bálsamo e o prazer da luz desta estrada santa, que leva ao coração a nossa maior fé. Buscamos, ajoelhados, a bênção de nossa santa Mãe Negra. Temos que cumprir esta estrada, porque esta estrada somos nós em vida.

GUARACI ALVARENGA
é advogado

 


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