Opinião

Melhor remédio pós-covid: o exercício

Se você teve covid, não basta sair por aí se exercitando


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Liciana Rossi
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Já estamos a quase dois anos em meio a uma pandemia. Por este motivo, diversas pessoas deixaram de praticar atividade física e o índice de sedentarismo, não só no Brasil, como no mundo, elevou muito. Porém, a atividade física deve agora ser encarada como um importante aliado à recuperação pós-infecção pelo coranavírus, sendo capaz de trazer muitos benefícios não só físicos, mas também mentais.

A covid-19 é uma doença viral que afeta diretamente os pulmões, capaz de afetar os sistemas cardiovascular, imunológico, neurológico, hematológico, renal, ou seja, afeta o corpo todo e de modo diferente de uma pessoa para a outra. E mais, pode deixar sequelas que venham a prejudicar a prática física, como fraqueza muscular, fadiga, dores articulares, dores de cabeça, tontura, confusão mental, dificuldade para dormir, dentre outros problemas piores, como danos importantes nos pulmões e coração. Alguns sintomas podem ocorrer por semanas ou meses e acabam dificultando a realização de movimentos dos mais corriqueiros, como os do dia a dia. Os sintomas mais comuns que perduram por um tempo incluem a fadiga, falta de ar, tosse, dores articulares, dores no peito, dores musculares, dores de cabeça, taquicardia, perda do olfato e paladar, problemas de memória e concentração e queda de cabelo.

Muitos estudos têm comprovado o efeito benéfico do exercício na recuperação pós-covid. Uma pesquisa realizada pela USP mostrou que o exercício pode ser um ótimo aliado para tratar a fraqueza muscular pós-covid, uma estratégia não farmacológica capaz de combater também as dificuldades cardiorrespiratórias, fraqueza muscular, fadiga e cansaço.

A atividade física recupera o organismo, aumenta a imunidade, atuando até mesmo como um "anti-inflamatório" natural, principalmente se aliado a uma boa nutrição e hidratação, um verdadeiro remédio para melhorar a saúde global das pessoas.

Mas se você teve covid, não basta sair por aí se exercitando. É necessária uma autorização médica para início dos exercícios, em casos mais graves da doença, uma avaliação fisioterápica também, e só então chegar e pedir à orientação de um profissional de Educação Física. Cuidados com a falta de ar e cansaço devem ser considerados. Priorize os treinos de força, de maneira mais curta e com poucas repetições, com intervalos maiores. Este é um bom começo para não exigir demais de você. Foque em manter a função muscular. Treino em máquinas são indicados pelo fato de você ficar sentado, evitando tonturas e desmaios logo no retorno ao exercício.

Caso a opção seja o treino aeróbico, como caminhadas e bike, por segurança, um monitor de frequência cardíaca é muito importante, mas é preciso seguir a faixa alvo indicada pelo médico. Em pessoas que tiveram um quadro mais grave da doença, redobrar as atenções com pulmões e coração. O uso do oxímetro pode ajudar na mensuração da saturação do oxigênio no organismo para treinos aeróbicos progressivos e seguros, fundamentais para resistência cardiovascular.

Porém, um outro treinamento imprescindível é respiratório. Se 80% da respiração vem por meio de um músculo, o diafragma, pode haver alguma alteração importante neste músculo, como uma respiração superficial, que aumenta a fadiga e a falta de ar. Qualquer técnica que trabalhe o controle respiratório, com intuito de normalizar os padrões da respiração e eficiência dos músculos respiratórios serão sempre muito bem-vindos. Há muitas técnicas, como LPF (lowpressure fitness), ioga, powerbreathing, etc. Mas você sozinho pode trabalhar sua respiração, é só colocar as mãos sobre as costelas e tentar respirar lentamente e profundamente, tridimensionalmente, sentido a abertura costal e levantamento da coluna dorsal na inspiração e, na expiração, deixar que tudo retorne naturalmente. Movimentar os braços para o alto durante a inspiração e voltá-los na expiração seria outra opção. Há inúmeras.

O importante é o movimento como o grande aliado à recuperação. Não desanime se você está sentindo fadiga ou outro sintoma, vai passar. Mas a atividade física te traz para a saúde novamente, aproveite. É natural, é barato e só te fará bem. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é pós-graduada em Treinamento Desportivo (Unicamp), Exercícios Corretivos (Academia Nacional de Medicina Esportiva dos USA), CHEK Practitioner2, HolisticLifestyle Coach2, CHEK Institute/USA, L.P.F. Specialist e graduanda SomaTraining/ELDOA-USA.

 


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