Opinião

De Jundiaí para Ubatuba

Jundiaí tem também atrações e pode atrair um turismo saudável


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Jose Renato Nalini
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Quando crianças, nossas férias incluíam as praias de São Sebastião. Lembro-me bem de que ficávamos em uma casa à beira-mar, ao lado da casa de Monsenhor Doutor Arthur Ricci. Ele costumava apanhar camarões munido de um apetrecho bem interessante, cujo nome já não me recordo.

As praias ainda eram cobertas de conchas. Estas desapareceram, como as abelhas também estão sumindo. Tudo pode piorar, por força da insensatez humana. Chegamos a fruir férias em Itanhaém. Havia uma pedra chamada "cama de Anchieta", na qual meu pai nos deitava. A mim e a meus irmãos.

Não conhecia Ubatuba, até que fui promovido para lá, em novembro de 1975. Meu pai trabalhava na Vulcabrás e comentou com o Dr. Josef Pfulg. Ele ofereceu sua casa para eu morar enquanto lá estivesse.

A partir daí, meu pai começou a alugar uma casa de veraneio e começamos a conhecer essa orla que tem quase duzentas praias, as mais deslumbrantes e de inúmeras conformações. É, certamente, o mais belo litoral brasileiro. Portanto, de todo o planeta.

Não permaneci muito tempo em Ubatuba. Por questões de trabalho, inscrevi-me para o concurso aberto para provimento de cargos na Magistratura. Era o 142º Concurso de Ingresso realizado pelo TJSP. Ali estive de novembro de 1975 a agosto de 1976. Com intervalo entre dezembro de 1975 a fevereiro de 1976, quando - pela primeira vez - realizei o sonho de conhecer Europa e Oriente Médio.

De Ubatuba, porém, resultou meu casamento com Maria Luíza. E o saldo são meus quatro maravilhosos - (pai corujíssimo!) filhos: João Baptista, José Renato, Ana Beatriz e Ana Rosa.

Hoje, minha filha Ana Beatriz mora em Ubatuba e a visita a ela e a meus três netos - Antonio Carlos, Bento e Sofia - me faz retornar à cidade com certa frequência. Por mais que o bicho-homem tente estragar a natureza, a cidade resiste. Ainda não fui à sede dos Arautos do Evangelho, aos quais estimo e aprendi a admirar pelo trabalho realizado com a infância carente. Foi edificada numa das muitas colinas ubatubenses e o cenário, que conheço apenas de lives, é um esplendor.

Ubatuba não precisaria, mas propaga suas atrações. As naturais, presente da Providência, nem se fale. Elas se exprimem por si. Mas existem aquelas criadas pelos humanos. Como o aquário, inaugurado em fevereiro de 1996. É considerada uma das melhores opções de lazer educacional em todo o litoral paulista. É voltado à educação e pesquisa, com foco na preservação ambiental. Mais de 100 espécies de animais como raias, moreias, tubarões ocupam vinte e dois tanques de água, refazendo os principais ecossistemas brasileiros. O tanque oceânico de oitenta mil litros é um dos maiores do Brasil. Monitor está à disposição para que as crianças, se quiserem, toquem alguns animais, no tanque de contato.

Há também reconstituição de habitats de água doce, como piranha e espécies da Amazônia e Pantanal. Um recinto climatizado para pinguins e auditório para oitenta pessoas. Ideal para escolas ou para grupos familiares.

Ubatuba também possui um Museu da Vida Marinha, mantido pelo Instituto Argonauta, que também protege os animais marinhos, com um programa SOS. Quem quiser conhecer mais sobre essas duas opções de passeio, pode se comunicar pelo e-mail [email protected] e, quanto ao SOS-animais marinhos, contatar o telefone 12-3833-4863 ou 12.99785.3615, whatsApp. Também há o endereço eletrônico www.institutoargonauta.org para obter mais detalhes.

O município de Ubatuba é menor, comparando-se a sua população fixa, com a Jundiaí que se agiganta, o que nem sempre significa maior qualidade de vida. Mas Jundiaí tem também atrações e, diante da proximidade com a insensata megalópole paulistana, pode atrair um turismo saudável. Para movimentar nossos restaurantes, para conhecer o cultivo da uva e morango, para experimentar nossos vinhos e sucos de uva, para vivenciar um dia de agricultura familiar, sob inspiração peninsular. Pois a tradição italiana ainda é muito grande em nossa terra.

O turismo é uma indústria rentável, resolveu problemas de países como a Espanha e tem tudo para ser a âncora de salvação dos desempregados de nossa cidade. Vamos investir mais nisso?

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022

 


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